F3 · Aulas 53–54

Cone de revolução

Volume

$V=\frac{\pi r^{2}h}{3}$ — um terço do cilindro de mesma base e altura, como a pirâmide está para o prisma. Relação obrigatória entre os elementos: $g^{2}=h^{2}+r^{2}$, com $g$ a geratriz. Trocar $g$ por $h$ na fórmula do volume é o deslize mais comum.

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O volume do cone de revolução nasce de uma ideia de proporcionalidade que vale a pena dominar antes de decorar fórmula: todo cone é um "pedaço" de cilindro, e a razão entre eles é sempre $1/3$, independentemente do raio ou da altura. Isso pode ser demonstrado por semelhança de sólidos — se você inscreve um cone num cilindro de mesma base e altura, o espaço vazio ao redor do cone tem exatamente o dobro do volume do cone — ou por integração, empilhando discos de raio variável: como o raio decresce linearmente de $r$ (na base) até zero (no vértice), a soma dos volumes elementares $\pi x^{2}\,dx$ conduz naturalmente ao fator $1/3$. Conceitualmente, o ponto central é que o volume depende exclusivamente de área da base e altura, não da geratriz, da inclinação das paredes laterais nem da posição do vértice enquanto a altura se mantém — é o princípio de Cavalieri em ação.

A geratriz $g$ só entra quando o problema fornece dados que não são diretamente $r$ ou $h$, e aí a relação $g^{2}=h^{2}+r^{2}$ (teorema de Pitágoras no triângulo retângulo formado por altura, raio e geratriz) é o elo obrigatório.

Vale notar que essa mesma relação vale para o cone oblíquo? Não — no cone oblíquo a geratriz não é única, e as provas de vestibular raramente cobram esse caso; o foco é o cone reto, aquele cujo eixo é perpendicular ao plano da base.

Planificação do cone

Um círculo de raio $r$ e um setor circular de raio $g$, cujo arco vale $2\pi r$. O ângulo do setor é $\theta=\frac{2\pi r}{g}$ radianos, ou $\frac{360°\,r}{g}$. Essa igualdade entre arco e circunferência da base resolve todas as questões de planificação.

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A ideia central da planificação é enxergar o cone como um sólido gerado pelo giro de um triângulo retângulo em torno de um cateto, de modo que a geratriz $g$ (a hipotenusa) vira o raio do setor, e a circunferência da base, de comprimento $2\pi r$, vira o arco desse setor; como o setor é parte de um círculo de raio $g$, cujo comprimento total seria $2\pi g$, a razão entre arco e circunferência completa dá a fração do disco ocupada e, multiplicada por $360°$ (ou $2\pi$ rad), fornece o ângulo de abertura $\theta$.

Vale notar que $\theta$ depende só da razão $r/g$, que é o seno do ângulo entre a geratriz e o eixo do cone; por isso cones muito "finos e altos" têm $r$ pequeno diante de $g$ e geram setores estreitos, enquanto cones "baixos e largos" se aproximam do caso em que $g$ tende a $r$ e o setor tende ao círculo completo — embora o cone só degenere em disco no limite exato $g=r$, quando a altura se anula. Como exemplo concreto, tome $r=3\,\text{cm}$ e $g=9\,\text{cm}$: o arco mede $2\pi\cdot3=6\pi$ e o setor tem raio $9$, logo $\theta=\frac{6\pi}{9}=\frac{2\pi}{3}$ rad, ou seja, $120°$, o que significa que a superfície lateral corresponde a um terço de um disco de raio $9$; a área lateral, aliás, sai direto dessa fração, $\frac{1}{3}\pi g^2 = 27\pi\,\text{cm}^2$.

Áreas

Lateral $A_{l}=\pi r g$; base $\pi r^{2}$; total $A_{t}=\pi r(g+r)$. A lateral sai da área do setor, $\frac{g\cdot 2\pi r}{2}$. Use $g$ na lateral e $h$ no volume — cada fórmula pede o seu elemento.

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O cone de revolução nasce da rotação de um triângulo retângulo em torno de um cateto: o cateto fixo vira a altura $h$, o outro cateto vira o raio $r$ da base e a hipotenusa varre a superfície lateral, gerando a geratriz $g$, com $g^{2}=r^{2}+h^{2}$. Para entender as áreas, imagine a superfície lateral "cortada" por uma geratriz e planificada: ela se abre num setor circular de raio igual a $g$ e cujo arco mede exatamente o comprimento da circunferência da base, $2\pi r$. A área desse setor é a de um pedaço do círculo de raio $g$ proporcional ao arco, ou seja, $\frac{\text{arco}}{2\pi g}\cdot\pi g^{2}=\frac{2\pi r}{2\pi g}\cdot\pi g^{2}=\pi r g$ — e é daí que vem a fórmula que você já conhece.

A área total soma a base, $A_{t}=\pi r g+\pi r^{2}$. Exemplo concreto: um cone com $r=3\,\text{cm}$ e $g=5\,\text{cm}$ tem $h=4\,\text{cm}$ (trio 3-4-5), área lateral $\pi\cdot 3\cdot 5=15\pi\,\text{cm}^{2}$ e área total $15\pi+9\pi=24\pi\,\text{cm}^{2}$; repare que usamos $g=5$ na lateral, não $h=4$.

Cone equilátero

Secção meridiana é um triângulo equilátero: $g=2r$, logo $h=r\sqrt{3}$. Então $V=\frac{\pi r^{3}\sqrt{3}}{3}$ e $A_{t}=3\pi r^{2}$. Como no cilindro, a condição amarra todos os elementos a um único parâmetro.

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O cone equilátero merece atenção especial porque é o análogo tridimensional do triângulo equilátero e aparece com frequência disfarçado em questões de geometria espacial. A chave conceitual está na secção meridiana: ao cortar o cone por um plano que contém o eixo, obtemos um triângulo isósceles cujos lados iguais são duas geratrizes e cuja base é o diâmetro $2r$; no cone equilátero, exige-se que esse triângulo seja equilátero, ou seja, $g = 2r$, o que força o ângulo de abertura no vértice a valer $60°$ e amarra altura, raio e geratriz numa única relação. Daí decorre que todos os elementos ficam determinados por um só parâmetro, geralmente o raio: conhecendo $r$, você imediatamente tem $g = 2r$ e $h = r\sqrt{3}$, o que simplifica áreas e volumes e explica por que as bancas gostam tanto desse sólido.

Veja em 3D

Arraste para girar, role para aproximar. Os controles mudam as medidas.

  • Cone de revolução

    A geratriz g (laranja), a altura h e o raio r formam um triângulo retângulo: g² = h² + r². Área lateral = πrg; a planificação é um setor de raio g.