F2 · Aulas 11–12

Fatoração

Principais casos de fatoração

Ordem de ataque: fator comum em evidência, diferença de quadrados, trinômio quadrado perfeito, soma e diferença de cubos. Sempre comece pelo fator comum — quem pula essa etapa perde a fatoração inteira. Fatorar é o que permite cancelar e achar raízes.

Aprofundar

Fatorar um polinômio é reescrevê-lo como produto de fatores irredutíveis, e o valor dessa transformação está em revelar sua estrutura oculta: raízes, cancelamentos e sinais ficam evidentes quando o polinômio deixa de ser uma soma e passa a ser um produto. Os casos clássicos não são fórmulas soltas, mas identidades que você reconhece por padrão. A diferença de quadrados, por exemplo, exige dois termos subtraídos e ambos quadrados perfeitos, como $9x^2 - 25 = (3x-5)(3x+5)$, enquanto no trinômio quadrado perfeito o termo central é sempre o dobro do produto das raízes dos extremos, e desconfiar disso evita erros: $x^2 + 10x + 25 = (x+5)^2$, mas $x^2 + 10x + 16$ não fecha quadrado perfeito.

A soma de cubos tem sinal positivo e trinômio com sinais alternados, $a^3 + b^3 = (a+b)(a^2 - ab + b^2)$, e a diferença mantém o primeiro fator subtraído com trinômio todo positivo.

Técnicas de agrupamento

Com quatro termos, agrupe dois a dois e coloque em evidência: $ax+ay+bx+by=a(x+y)+b(x+y)=(a+b)(x+y)$. Se o primeiro agrupamento não fecha, troque a ordem dos termos antes de desistir. Aparece bastante em limites disfarçados e em divisão de polinômios.

Aprofundar

A ideia central do agrupamento é criar artificialmente um fator comum onde, à primeira vista, não existe nenhum: quando um polinômio tem quatro termos e não há fator comum a todos, você escolhe pares que compartilhem algo e extrai esse fator de cada par, torcendo para que surja uma mesma expressão entre parênteses, que então vira o fator comum final. O conceito se estende a seis termos (agrupe três a três) e a expressões com potências, como $x^3+x^2+x+1=x^2(x+1)+1(x+1)=(x^2+1)(x+1)$, mas também a casos em que o agrupamento não é imediato e exige um rearranjo, como em $x^3-x^2-x+1$: agrupando $x^3-x^2$ e $-x+1$, obtemos $x^2(x-1)-1(x-1)=(x-1)(x^2-1)=(x-1)^2(x+1)$, e note que o segundo par precisou do sinal negativo em evidência, erro clássico de quem escreve $+1(x-1)$ e não fecha a conta.

Trinômio do 2º grau

$ax^{2}+bx+c=a(x-x_{1})(x-x_{2})$, com $x_{1},x_{2}$ raízes. Para $a=1$, procure dois números de soma $-b$ e produto $c$ — mais rápido que Bhaskara. Se $\Delta\lt 0$, não fatora em $\mathbb{R}$, e o trinômio mantém sinal constante.

Aprofundar

A fatoração do trinômio do segundo grau se apoia nas relações de Girard: se $x_1$ e $x_2$ são raízes de $ax^2+bx+c$, então $x_1+x_2=-\frac{b}{a}$ e $x_1\cdot x_2=\frac{c}{a}$. Isso explica por que, quando $a=1$, basta buscar dois números com soma $-b$ e produto $c$: é o método da soma e produto, muito mais ágil que Bhaskara em expressões simples. Quando $a\neq 1$, o caminho prático é fatorar $a$ em evidência ou usar a forma geral $a(x-x_1)(x-x_2)$, obtendo as raízes por Bhaskara. O sinal de $\Delta=b^2-4ac$ governa tudo: se $\Delta>0$, há duas raízes reais distintas e o trinômio se decompõe em dois fatores lineares; se $\Delta=0$, há raiz dupla e o trinômio é um quadrado perfeito, $a(x-x_1)^2$; se $\Delta<0$, não existem raízes reais e a expressão é irredutível sobre $\mathbb{R}$ — nesse caso, como $a$ e o próprio trinômio nunca mudam de sinal, ele é sempre positivo ou sempre negativo, o que permite resolver inequações sem calcular raízes.

Exemplo concreto: $x^2-5x+6$ tem soma $5$ e produto $6$, logo raízes $2$ e $3$, e fatora-se como $(x-2)(x-3)$; já $2x^2-8$ fatora como $2(x-2)(x+2)$, evidenciando o $a=2$.