Comparação de números
Duas formas de comparar duas grandezas: por diferença (quanto a mais) ou por quociente (quantas vezes). Escolher a errada muda a resposta — “aumentou 20 unidades” não é “aumentou 20%”. Todo problema de porcentagem e escala nasce da comparação por quociente.
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A comparação por quociente, base das razões e proporções, exige definir com clareza o referencial — o denominador —, pois é ele que dá sentido à variação: dizer que uma ação subiu de R$ 20 para R$ 25 revela alta de 25% se o referencial for o valor inicial (5/20), mas de apenas 20% se for o final (5/25), e é por isso que provas como Fuvest e Unicamp costumam embutir a inversão do referencial na própria pergunta, cobrando do candidato a identificação do “em relação a quê”. O mesmo cuidado vale para a leitura inversa: se A é 25% maior que B, então B é 20% menor que A, e não 25% — erro clássico explorado em questões de inflação, reajustes salariais e descontos sucessivos, em que aumentos e reduções se acumulam multiplicativamente (um aumento de 10% seguido de outro de 20% gera fator 1,1 · 1,2 = 1,32, ou seja, 32% no total, e não 30%).
No ENEM, a comparação aparece em gráficos com escalas enganosas: uma barra que dobra de altura pode representar apenas 30% de crescimento se o eixo não partir do zero, e a alternativa correta geralmente é a que lê a razão, não a impressão visual. Já o ITA prefere o rigor formal, pedindo a demonstração de que a média geométrica entre dois números está para eles assim como o menor está para a média, ou explorando a proporção áurea como razão constante entre segmentos. Outro viés recorrente é o da taxa percentual incidente sobre bases diferentes — ao somar percentuais de grupos distintos (por exemplo, 10% de homens e 30% de mulheres), a taxa global não é a média aritmética simples, e sim a ponderada pelo tamanho de cada grupo, ponto que derruba muitos candidatos em questões de mistura e concentração.
Dominar esse referencial é, portanto, o que separa o cálculo mecânico da compreensão real da grandeza comparada.
Comparação por subtração
$a-b$ mede a diferença absoluta, na unidade da grandeza. Serve para variações lineares e para o desvio em estatística. Não permite comparar contextos de escalas distintas: 100 reais a mais valem muito ou pouco conforme o total.
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A comparação por subtração consiste em tomar dois números ou duas medidas da mesma grandeza e calcular quanto um excede o outro, obtendo o que se chama de diferença absoluta: se um valor é $a$ e o outro é $b$, o resultado $a-b$ informa quantas unidades de $a$ estão acima de $b$, mantendo a unidade original da grandeza — reais, metros, quilogramas, pontos. Por isso ela é a ferramenta natural sempre que o que importa é o quanto se ganhou ou perdeu em termos concretos, e não a relevância relativa dessa mudança.
Vale notar também uma propriedade estrutural importante: a subtração é sensível à ordem, pois $a-b$ e $b-a$ têm sinais opostos, e é aditiva, no sentido de que diferenças parciais se somam para dar a diferença total — algo que a razão não obedece, já que a soma de razões não é a razão das somas.
Comparação por quociente
$\frac{a}{b}$ é uma razão, adimensional quando as unidades são iguais. Permite comparar escalas diferentes e gera taxa, escala, densidade e velocidade. $\frac{a}{b}=1{,}2$ significa “$a$ é 20% maior que $b$”.
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A comparação por quociente é a mais informativa quando queremos saber não quanto um número supera o outro, mas quantas vezes ele o contém. Enquanto a comparação por diferença depende da escala adotada, o quociente é um número puro, o que permite confrontar grandezas de naturezas distintas. Se a razão $\frac{a}{b}$ é maior que 1, então $a>b$; se é menor que 1, então $a<b$; e se é igual a 1, há igualdade. Mais que isso, o quociente informa a intensidade da desigualdade: $\frac{a}{b}=1{,}2$ significa que $a$ é 20% maior que $b$, mas cuidado, isso não equivale a dizer que $b$ é 20% menor que $a$, pois $\frac{b}{a}=\frac{1}{1{,}2}\approx0{,}833$, ou seja, $b$ é cerca de 16,7% menor.
Essa assimetria é uma das pegadinhas favoritas das bancas. Exemplo concreto: se um carro percorre 240 km em 3 h e outro percorre 300 km em 4 h, as velocidades médias são 80 km/h e 75 km/h; o quociente $\frac{80}{75}\approx1{,}067$ mostra que o primeiro é cerca de 6,7% mais rápido, embora a diferença absoluta seja de apenas 5 km/h.