$V=\pi r^{2}h$: área da base vezes a altura, como todo prisma. Por Cavalieri, o cilindro oblíquo tem a mesma fórmula, com $h$ medindo a distância entre as bases — nunca a geratriz inclinada. Dobrar o raio quadruplica o volume; dobrar a altura apenas o dobra.
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O volume do cilindro de revolução nasce de uma ideia central: empilhar infinitas "fatias" circulares de área $\pi r^{2}$ ao longo de uma altura $h$, o que formaliza a intuição de que todo sólido de seção transversal constante se calcula como base vezes altura. Vale entender de onde vem a fórmula por integração: cortando o cilindro em discos de espessura infinitesimal $dx$, cada disco tem volume $\pi r^{2}\,dx$, e somar de $0$ a $h$ dá $\int_{0}^{h}\pi r^{2}\,dx=\pi r^{2}h$ — mesmo resultado, agora com justificativa rigorosa que o vestibular às vezes cobra em questões dissertativas. Essa visão também explica por que o raio pesa tanto: como ele aparece elevado ao quadrado, pequenas variações no raio provocam grandes variações no volume, enquanto a altura entra linearmente.
Dominar a fórmula, portanto, é só o começo: o diferencial está em reconhecer quando o raio ou a altura variam e como isso repercute no resultado final.
Planificação do cilindro
Dois círculos e um retângulo de dimensões $2\pi r$ (o comprimento da circunferência) por $h$. Daí $A_{l}=2\pi r h$ e $A_{t}=2\pi r(h+r)$. O retângulo lateral é a chave dos problemas de menor caminho na superfície — reto na planificação, hélice no sólido.
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A planificação de um cilindro de revolução nada mais é do que "abrir" sua superfície lateral sobre um plano, sem esticá-la nem rasgá-la, e revela uma propriedade fundamental: a superfície lateral de um cilindro é desenvolvível, ou seja, admite ser transformada em uma região plana por dobradura, sem deformar distâncias ao longo da superfície. Essa recíproca é o que garante que problemas de menor caminho traçados sobre o cilindro tenham solução exata: se você enrola um retângulo de base $2\pi r$ e altura $h$ em torno de um eixo, cada segmento de reta do retângulo vira uma hélice no cilindro, e o comprimento se conserva. Por isso, ao buscar a trajetória mais curta entre dois pontos da superfície cilíndrica, basta representar os dois pontos na planificação, traçar o segmento reto entre eles e aplicar Pitágoras.
Veja um exemplo concreto: um cilindro de raio $r=3$ cm e altura $h=8$ cm, com uma formiga que sai de um ponto da base e precisa atingir o ponto diametralmente oposto no topo. Na planificação, o deslocamento horizontal é metade da circunferência, $\pi r = 3\pi \approx 9{,}42$ cm, e o vertical é $h=8$ cm, de modo que o menor caminho vale $\sqrt{(3\pi)^2+8^2}=\sqrt{9\pi^2+64}\approx 12{,}36$ cm.
Cilindro equilátero
Aquele cuja secção meridiana é um quadrado: $h=2r$. Então $V=2\pi r^{3}$ e $A_{t}=6\pi r^{2}$. Reconhecer a condição $h=2r$ no enunciado reduz o problema a uma única variável — o mesmo espírito do cone equilátero.
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O cilindro equilátero merece atenção porque sua definição impõe uma restrição geométrica global, não apenas uma coincidência numérica: ao exigir que a secção meridiana seja um quadrado, o enunciado amarra altura e raio pela relação $h = 2r$, e essa amarração se propaga por todas as grandezas derivadas. A secção meridiana, vale lembrar, é o corte que passa pelo eixo do cilindro, contendo os centros das duas bases; suas dimensões são $2r$ na horizontal (o diâmetro) e $h$ na vertical, de modo que a condição de quadrado força $h = 2r$. Uma consequência elegante e muitas vezes despercebida é que a diagonal dessa secção mede $2r\sqrt{2}$, o que equivale ao diâmetro da esfera circunscrita ao cilindro — ou seja, todo cilindro equilátero é inscritível numa esfera de raio $r\sqrt{2}$, fato que aparece em questões que misturam sólidos inscritos e circunscritos e que conecta o tópico a problemas de esferas.
Além disso, a razão entre o volume do cilindro equilátero e o da esfera de mesmo raio $r$ é $\frac{2\pi r^{3}}{\frac{4}{3}\pi r^{3}} = \frac{3}{2}$, resultado que a tradição de provas explora tanto na forma direta quanto invertida, pedindo o raio da esfera a partir do volume do cilindro.
Seção não meridiana
Corte paralelo ao eixo, mas fora dele: retângulo de altura $h$ e base a corda $2\sqrt{r^{2}-d^{2}}$, com $d$ a distância do eixo ao plano. A secção meridiana é o caso $d=0$, o maior retângulo possível, de base $2r$.
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Quando o plano de corte é paralelo ao eixo do cilindro mas não contém esse eixo, a seção obtida não é mais o retângulo máximo da seção meridiana, e sim um retângulo "deslocado", cuja largura depende da posição do plano em relação ao eixo: se o plano está a uma distância $d$ do eixo (com $0<d<r$), ele intercepta a circunferência da base em dois pontos simétricos, gerando uma corda de comprimento $2\sqrt{r^{2}-d^{2}}$, e a altura do retângulo permanece igual à altura $h$ do cilindro, pois o plano é paralelo ao eixo e corta toda a extensão lateral.
O ponto central para resolver problemas desse tipo é perceber que a seção não meridiana é sempre um retângulo, mas sua base é uma corda da circunferência da base, e não o diâmetro; assim, quanto mais próximo do eixo estiver o plano, maior a base, e quanto mais afastado, menor a base, até que, no limite $d\to r$, a corda se reduz a um ponto e a seção degenera em um segmento vertical.
Além disso, vale lembrar que a seção não meridiana pode ser vista como um caso particular de interseção de um plano com uma superfície cilíndrica, e que a corda gerada na base é o elemento que conecta o problema ao estudo da circunferência, permitindo que questões de trigonometria ou de relação métrica no triângulo retângulo formado pelo raio, a distância $d$ e a metade da corda apareçam integradas ao contexto espacial. Assim, dominar esse tópico significa não apenas decorar a fórmula, mas entender que a seção não meridiana é um retângulo cuja base é uma corda da base do cilindro, e que sua análise depende diretamente da distância do plano ao eixo, sendo esse o critério que diferencia a seção meridiana da não meridiana e que permite resolver desde questões diretas de área até problemas mais elaborados de otimização e de reconhecimento de figuras planas em cortes espaciais, tema recorrente em vestibulares que cobram visualização geométrica e manipulação algébrica com radicais.
Veja em 3D
Arraste para girar, role para aproximar. Os controles mudam as medidas.
Cilindro de revolução
A seção meridiana (vermelha) é um retângulo 2r × h — no cilindro equilátero, um quadrado (h = 2r). Área lateral = 2πrh; volume = πr²h.