F1 · Aulas 67–68

Desigualdades e médias

Desigualdade das médias (MA-MG)

Para $a,b\gt 0$: $\frac{a+b}{2}\geq\sqrt{ab}$. Generaliza para $n$ termos: $\frac{a_{1}+\cdots+a_{n}}{n}\geq\sqrt[n]{a_{1}\cdots a_{n}}$. Uso típico: maximizar produto com soma fixa, ou minimizar soma com produto fixo — substitui derivada em muitos problemas de otimização de vestibular.

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A desigualdade das médias, também chamada MA-MG, nasce de uma ideia simples: para quaisquer números positivos, a média aritmética nunca é menor que a média geométrica, e a igualdade só ocorre quando todos os termos são iguais. Essa condição de igualdade é o coração do assunto nas provas, porque muitos candidatos decoram a fórmula, mas esquecem que ela só resolve o problema de otimização quando há simetria entre as variáveis. Por exemplo, se $x+y=10$ e queremos o maior valor de $xy$, a desigualdade diz que $\frac{x+y}{2}\ge\sqrt{xy}$, logo $5\ge\sqrt{xy}$ e $xy\le 25$, com igualdade quando $x=y=5$. Esse tipo de raciocínio evita derivadas e aparece disfarçado em problemas de geometria, como maximizar a área de um retângulo com perímetro fixo, ou em expressões algébricas com termos do tipo $x+\frac{1}{x}$, cujo mínimo é $2$ para $x>0$.

A generalização para $n$ termos é especialmente cobrada quando o enunciado pede o mínimo de uma soma com produto constante, como $x+y+z$ dado $xyz=8$, onde a MA-MG garante soma mínima $6$ em $x=y=z=2$. Nos vestibulares, a banca costuma exigir que você identifique a condição de igualdade e verifique se os números são positivos; quando não são, o argumento falha e o problema pede outra abordagem.

Em resumo, domine a igualdade, teste a simetria e desconfie de valores negativos, pois é exatamente aí que a banca separa quem sabe aplicar a desigualdade de quem apenas a reconhece.

Desigualdade de Cauchy-Schwarz

$(a_{1}b_{1}+\cdots+a_{n}b_{n})^{2}\leq(a_{1}^{2}+\cdots+a_{n}^{2})(b_{1}^{2}+\cdots+b_{n}^{2})$, com igualdade quando as sequências são proporcionais. Resolve rapidamente problemas de valor máximo/mínimo com restrição de soma de quadrados — recorrente em ITA e olimpíadas.

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A chave para dominar Cauchy-Schwarz é enxergá-la como uma afirmação geométrica: o produto escalar de dois vetores nunca ultrapassa o produto de seus módulos, ou seja, $\vec{u}\cdot\vec{v}\leq|\vec{u}||\vec{v}|$, o que, elevado ao quadrado e escrito em coordenadas, dá exatamente a desigualdade do resumo. A igualdade ocorre quando $\vec{u}$ e $\vec{v}$ são paralelos, isto é, existe um escalar $\lambda$ tal que $(a_1,\dots,a_n)=\lambda(b_1,\dots,b_n)$ — essa condição não é detalhe decorativo, é o coração do método, pois em problemas de máximo e mínimo ela diz onde a otimização é atingida. Veja um exemplo concreto: maximizar $3x+4y$ sujeito a $x^2+y^2=25$.

Tomando $a=(3,4)$ e $b=(x,y)$, Cauchy-Schwarz dá $(3x+4y)^2\leq(9+16)(x^2+y^2)=25\cdot25=625$, logo $3x+4y\leq25$. A igualdade exige $(3,4)=\lambda(x,y)$, isto é, $(x,y)=t(3,4)$; substituindo em $x^2+y^2=25$, vem $25t^2=25$, logo $t=1$ e o ponto é $(3,4)$, com valor máximo $25$. Note como a condição de igualdade foi essencial: sem ela, saberíamos apenas que o máximo é $25$, mas não onde ocorre — exatamente o que as bancas cobram. No ITA e em olimpíadas, o padrão é pedir máximo ou mínimo de uma expressão linear sob restrição quadrática, ou, na versão de Engel, provar desigualdades do tipo $\frac{x_1^2}{a_1}+\cdots+\frac{x_n^2}{a_n}\geq\frac{(x_1+\cdots+x_n)^2}{a_1+\cdots+a_n}$, também chamada forma de Titu.