F2 · Aulas 23–24

Progressões aritméticas – PA

Definição

Sequência em que cada termo excede o anterior por uma constante $r$: $a_{n+1}=a_{n}+r$. Se $r\gt 0$ é crescente; $r\lt 0$, decrescente; $r=0$, constante. Reconhece-se pela diferença constante — cuidado para não testar só dois termos.

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A definição formal de PA exige que a diferença entre quaisquer dois termos consecutivos seja sempre a mesma constante $r$, ou seja, $a_{n+1}-a_n=r$ para todo $n$ natural — e é justamente essa universalidade que a distingue de uma sequência que apenas parece regular em alguns pontos. Como decorrência imediata, vale a fórmula do termo geral $a_n=a_1+(n-1)r$, que permite saltar diretamente para qualquer posição sem precisar listar os termos anteriores; e vale também a propriedade da média aritmética: em três termos consecutivos, o do meio é a média dos vizinhos, isto é, $a_{n}=\dfrac{a_{n-1}+a_{n+1}}{2}$, o que costuma aparecer disfarçado em problemas de interpolação.

Por exemplo, na sequência $(3,\,7,\,11,\,15,\,19,\dots)$ temos $r=4$ e $a_1=3$, logo $a_{10}=3+9\cdot 4=39$ e a soma dos dez primeiros é $S_{10}=\dfrac{(3+39)\cdot 10}{2}=210$; repare que a diferença constante confere em todos os pares consecutivos, não apenas nos dois primeiros. Um erro típico é concluir que $(1,\,4,\,9,\,16,\dots)$ é PA só porque $4-1=3$, pois $9-4=5\neq 3$: trata-se, na verdade, de quadrados perfeitos, e esse teste apressado com dois termos é exatamente o que as bancas exploram em questões de "verdadeiro ou falso".

Expressões para o termo geral

$a_{n}=a_{1}+(n-1)r$ e, a partir de qualquer termo, $a_{n}=a_{k}+(n-k)r$ — esta segunda evita achar $a_1$ à toa. A PA é uma função afim restrita aos naturais, com $r$ no papel de coeficiente angular: os pontos são colineares.

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A chave para dominar o termo geral é enxergar a PA como um deslocamento uniforme sobre a reta numérica: cada passo soma sempre a mesma constante $r$, de modo que a posição de um termo qualquer é a posição inicial mais o número de passos dados vezes o tamanho de cada passo. A fórmula $a_n = a_k + (n-k)r$ traduz exatamente isso, e sua grande vantagem aparece quando o enunciado fornece um termo intermediário e pede outro distante: basta contar quantos passos separam os índices, sem sequer tocar em $a_1$. Nesse sentido, a relação $a_n - a_k = (n-k)r$ revela que a razão também pode ser lida como "variação por passo", o que permite achá-la diretamente de dois termos dados, ideia muito explorada em questões de interpretação.

O caráter afim fica ainda mais claro com um exemplo concreto: na sequência $(4, 7, 10, 13, \dots)$, temos $r=3$ e $a_1=4$, logo $a_{20}=4+19\cdot 3=61$; do mesmo modo, partindo de $a_8=25$ (pois $4+7\cdot 3$), chega-se a $a_{20}=25+12\cdot 3=61$, confirmando que só importam o ponto de partida e o número de passos. Geometricamente, os pontos $(n, a_n)$ são colineares, e o coeficiente angular dessa reta é justamente $r$, o que conecta a PA ao estudo de funções e permite comparar taxas de crescimento.

Propriedade I – Simetria

Para somar três ou quatro termos consecutivos, centre a notação: $(x-r,\ x,\ x+r)$ ou $(x-3r,\ x-r,\ x+r,\ x+3r)$, com razão $2r$. A soma elimina $r$ de imediato. É o truque padrão dos problemas “três números em PA cuja soma é…”.

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A ideia central da simetria em PA é que a média aritmética dos termos equidistantes das extremidades é sempre igual ao termo central (quando o número de termos é ímpar) ou à média dos dois termos centrais (quando é par). Isso decorre de a PA ser uma sequência linear, de modo que desvios iguais para mais e para menos se cancelam. Na prática, ao representar três termos como $(x-r, x, x+r)$, a soma vale $3x$; com quatro termos $(x-3r, x-r, x+r, x+3r)$, a razão efetiva entre termos consecutivos é $2r$ e a soma vale $4x$. Essa escolha não é só estética: ela transforma um sistema de equações em uma equação simples para $x$, restando depois determinar $r$.

Por exemplo, se três números em PA têm soma $21$ e produto $231$, escrevemos $(x-r, x, x+r)$; da soma, $3x=21$, logo $x=7$. O produto fica $7(7-r)(7+r)=7(49-r^2)=231$, então $49-r^2=33$, $r^2=16$, $r=\pm4$. Os números são $3,7,11$ ou $11,7,3$. Já em um problema com quatro termos de soma $40$, usar $(x-3r,x-r,x+r,x+3r)$ dá $4x=40$, $x=10$, e a razão real é $2r$.

Propriedade II – Média aritmética

Cada termo é a média dos vizinhos: $a_{n}=\frac{a_{n-1}+a_{n+1}}{2}$. Serve de critério: três números estão em PA se, e somente se, o do meio é a média dos outros. Usada para provar que uma sequência dada é PA.

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A propriedade da média aritmética ganha força quando percebemos que ela não é apenas uma coincidência numérica, mas uma consequência direta da definição de PA e, principalmente, uma ferramenta de mão dupla: além de calcular, ela caracteriza a progressão aritmética, o que a torna um critério de verificação poderoso. Isso significa que, se em uma sequência qualquer três termos consecutivos satisfazem $a_{n}=\frac{a_{n-1}+a_{n+1}}{2}$, então a razão entre eles é constante e iguais a $a_{n}-a_{n-1}=a_{n+1}-a_{n}$, o que garante que a sequência é, de fato, uma PA — desde que essa condição valha para todos os termos, e não apenas para um trio isolado.

Vale lembrar que, na dúvida entre usar a fórmula do termo geral ou a média, esta última costuma ser mais eficiente quando o problema fornece três termos consecutivos ou simetria em torno de um valor central, então reconhecer essa estrutura economiza tempo e reduz erros algébricos na resolução.

Propriedade III – Soma dos termos equidistantes dos extremos

$a_{1}+a_{n}=a_{2}+a_{n-1}=\cdots$ — constante. Com número ímpar de termos, o central vale a metade dessa soma, e então $S_n=n\cdot a_{\text{central}}$. É exatamente a observação de Gauss que origina a fórmula da soma.

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A propriedade central aqui é a simetria da PA em torno do seu termo médio: como cada passo à direita soma a razão r e cada passo à esquerda subtrai r, os termos igualmente afastados dos extremos se compensam, de modo que $a_{k}+a_{n+1-k}$ é sempre o mesmo valor, igual a $a_{1}+a_{n}$. Isso decorre direto da fórmula do termo geral: $a_{k}+a_{n+1-k}=a_{1}+(k-1)r+a_{1}+(n-k)r=2a_{1}+(n-1)r=a_{1}+a_{n}$, expressão independente de k.

Expressão para a soma dos n primeiros termos

$S_{n}=\frac{(a_{1}+a_{n})n}{2}$ ou, sem $a_n$, $S_{n}=\frac{[2a_{1}+(n-1)r]n}{2}$. Como função de $n$, $S_n$ é do 2º grau sem termo independente — daí problemas de “soma máxima”, resolvidos pelo vértice da parábola.

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A ideia central por trás da fórmula de soma é o pareamento simétrico dos termos: em uma PA finita, somar o primeiro com o último, o segundo com o penúltimo, e assim por diante, produz sempre a mesma constante $a_1+a_n$, e essa simetria se explica porque avançar $k$ posições a partir de $a_1$ soma $kr$, enquanto retroceder $k$ posições a partir de $a_n$ subtrai $kr$, de modo que os desvios se cancelam. Quando $n$ é par, formam-se exatamente $n/2$ pares completos; quando $n$ é ímpar, sobram $n/2$ pares mais o termo central, que vale $\frac{a_1+a_n}{2}$ e coincide justamente com a média dos extremos — em ambos os casos chega-se a $S_n=\frac{(a_1+a_n)n}{2}$, resultado atribuído a Gauss quando, ainda criança, somou os números de 1 a 100 em segundos.

Substituindo $a_n=a_1+(n-1)r$, obtém-se $S_n=\frac{n}{2}[2a_1+(n-1)r]$, expressão que, expandida, revela uma função quadrática em $n$ sem termo independente, cujo gráfico é uma parábola passando pela origem. Isso explica os clássicos problemas de máximo ou mínimo: como o coeficiente de $n^2$ é $\frac{r}{2}$, a concavidade depende do sinal de $r$, e o vértice ocorre em $n=-\frac{b}{2a}$; se esse valor não for inteiro, testam-se os inteiros vizinhos, pois $n$ é necessariamente natural. Exemplo concreto: uma PA de $a_1=5$ e $r=3$ tem $S_n=\frac{n}{2}(10+3n-3)=\frac{3n^2+7n}{2}$; para $n=10$, $S_{10}=\frac{300+70}{2}=185$, conferível somando os dez primeiros termos.

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  • Progressão aritmética — pontos sobre uma reta

    aₙ = a₁ + (n − 1)r: os termos ficam alinhados, e a razão r é a inclinação. r < 0 dá PA decrescente.