F1 · Aulas 9–10

Função do 1º grau

Coeficiente linear

É o $b$ de $f(x)=ax+b$: o valor $f(0)$, onde a reta corta o eixo $y$, em $(0,b)$. Modela a parcela fixa — taxa de embarque, assinatura, custo fixo. Se $b=0$ a função é linear e o gráfico passa pela origem, caso da proporcionalidade direta.

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O coeficiente linear $b$ merece atenção porque carrega dois significados simultâneos que as provas adoram explorar: o algébrico, como termo independente que desloca a reta verticalmente sem alterar sua inclinação, e o geométrico, como ordenada do ponto de interseção com o eixo $y$. Quando $a$ permanece fixo e só $b$ varia, obtemos retas paralelas entre si — todas com a mesma inclinação, mas cortando o eixo $y$ em alturas diferentes; essa família de retas é justamente o que traduz, no plano cartesiano, a ideia de "mesma taxa de variação, patamares iniciais distintos". Em problemas aplicados, costuma aparecer disfarçado: a conta de água com tarifa fixa mais consumo por m³, o plano de celular com franquia mensal, o táxi com bandeirada.

Considere um serviço de streaming que cobra R$ 20 de adesão inicial e R$ 15 por mês: a função é $C(t)=15t+20$, e o coeficiente linear 20 indica que, mesmo sem nenhum mês decorrido ($t=0$), o cliente já desembolsou R$ 20 — é o valor do contrato no instante inicial, não o custo de um mês específico.

Dominar $b$ é, portanto, dominar a leitura do "ponto de partida" de qualquer fenômeno linear, competência que sustenta desde questões de cinemática até problemas de otimização simples, e que reaparece em temas posteriores como função afim, sistemas lineares e análise de gráficos, sempre exigindo que você distinga o que é condição inicial do que é taxa de variação.

Coeficiente angular

É o $a$: taxa de variação constante, $a=\frac{\Delta y}{\Delta x}=\frac{y_{2}-y_{1}}{x_{2}-x_{1}}=\operatorname{tg}\theta$. Sinal de $a$ decide crescimento. Atalho: em qualquer problema de “custo por unidade”, “velocidade” ou “por mês”, o número que acompanha a unidade é $a$.

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O coeficiente angular $a$ é, antes de tudo, a tradução algébrica da ideia de inclinação: ele mede quantas unidades a função sobe (ou desce) a cada unidade que avançamos no eixo $x$, e é justamente essa constância que caracteriza o comportamento linear e permite prever valores futuros por proporção direta. Geometricamente, $a$ é a tangente do ângulo que a reta forma com o eixo horizontal; por isso, $a>0$ produz reta ascendente, $a<0$ descendente, $a=0$ reta horizontal (função constante) e quanto maior o módulo de $a$, mais “íngreme” a reta. Uma sutileza importante: o sinal de $a$ indica crescimento ou decrescimento, mas quem determina onde a reta corta o eixo $y$ é o coeficiente linear $b$, de modo que dois gráficos com mesmo $a$ são paralelos.

Como exemplo concreto, considere uma corrida de aplicativo que cobra R$ 5,00 de bandeirada mais R$ 2,50 por quilômetro: a função é $C(x)=5+2{,}5x$ e o coeficiente angular é $2{,}5$, ou seja, cada quilômetro adicional encarece a corrida em R$ 2,50; se o motorista aumentasse para R$ 3,00/km, a reta ficaria mais inclinada, e se cobrasse R$ 2,00/km mais R$ 8,00 de bandeirada, ela seria mais suave, porém começaria mais alta.

Raiz da função do 1º grau

De $ax+b=0$ vem $x=-\frac{b}{a}$, única, pois $a\neq 0$. É onde a reta cruza o eixo $x$ e, nos problemas, o ponto de equilíbrio: receita igual a custo, encontro de dois móveis, lucro zero.

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A raiz de uma função do 1º grau é o valor de $x$ que anula $f(x)=ax+b$, e sua importância vai muito além de resolver uma equação: ela marca a fronteira onde o sinal da função muda. Como $a\neq 0$, a função é estritamente crescente ($a>0$) ou decrescente ($a<0$), de modo que existe um único $x_0=-\frac{b}{a}$ tal que $f(x_0)=0$; para todo $x>x_0$ a função tem o mesmo sinal de $a$, e para todo $x<x_0$ tem sinal contrário a $a$. Essa alternância é o que permite usar a raiz em estudos de sinal e inequações: resolver $f(x)>0$ ou $f(x)<0$ equivale a localizar $x_0$ e verificar em qual lado o gráfico fica acima ou abaixo do eixo $x$. No plano cartesiano, a raiz é exatamente a abscissa do ponto onde a reta intercepta o eixo horizontal; o coeficiente $b$ indica onde ela corta o eixo vertical, e juntos eles determinam a posição da reta.

Estudo do sinal

A raiz parte a reta real em dois trechos. Regra única: **à direita da raiz, $f$ tem o sinal de $a$; à esquerda, o sinal contrário**. É a base do quadro de sinais das inequações produto e quociente — vale memorizar assim, não por casos.

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O estudo do sinal de uma função afim $f(x)=ax+b$, com $a\neq 0$, aprofunda a regra prática do resumo ao mostrar de onde ela vem: como $a$ mede a taxa de variação constante, percorrer a reta real da esquerda para a direita faz $f$ crescer quando $a>0$ e decrescer quando $a<0$; assim, ao cruzar a raiz $x_0=-b/a$, o gráfico troca de semiplano e o sinal se inverte, o que explica o caráter "à direita o sinal de $a$". Além disso, encarar $f$ como expressão $a(x-x_0)$ deixa claro que o sinal depende só de $a$ e de $(x-x_0)$, justificando a regra de forma algébrica.

Grandezas proporcionais

Diretamente proporcionais: $\frac{y}{x}=k$, ou $y=kx$ (reta pela origem). Inversamente: $x\cdot y=k$, ou $y=\frac{k}{x}$ (hipérbole, não é do 1º grau). Erro comum: tratar como proporcional o que é apenas afim — se $b\neq 0$, dobrar $x$ não dobra $y$.

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A ideia central por trás das grandezas proporcionais é a de covariação sob escala: duas grandezas são diretamente proporcionais quando multiplicar uma por um fator $t$ multiplica a outra pelo mesmo $t$, o que só ocorre se a razão entre elas permanecer constante; são inversamente proporcionais quando multiplicar uma pela fator $t$ divide a outra por $t$, mantendo constante o produto. Esse comportamento é o que distingue a proporcionalidade da mera relação afim: na função $y=2x+3$, dobrar $x$ não dobra $y$ (de $5$ para $7$, e não $10$), logo não há proporcionalidade, apenas crescimento linear. Já em $y=2x$, dobrar $x$ dobra $y$, e em $y=12/x$, dobrar $x$ reduz $y$ à metade.

Explore os gráficos

Arraste os controles para ver o efeito de cada parâmetro; role para dar zoom.

  • Função do 1º grau — y = ax + b

    Mexa em a (coeficiente angular) e b (coeficiente linear). A raiz é x = −b/a; o sinal muda ali.