F3 · Aulas 37–38

Elipses e hipérboles

Elipse

Lugar geométrico dos pontos cuja soma das distâncias a dois focos é constante e igual a $2a$. É a órbita dos planetas (1ª lei de Kepler) e o formato das salas de sussurro, por refletir todo raio de um foco no outro.

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Na elipse de eixos paralelos aos coordenados e centro na origem, a equação reduzida $\frac{x^2}{a^2}+\frac{y^2}{b^2}=1$ (com $a>b>0$ no eixo maior horizontal) sintetiza a definição: todo ponto $(x,y)$ que a satisfaz tem soma de distâncias aos focos $F_1(-c,0)$ e $F_2(c,0)$ igual a $2a$, sendo $c=\sqrt{a^2-b^2}$ a distância focal e $c^2=a^2-b^2$, ou seja, $b^2=a^2-c^2$ — relação que costuma ser confundida com a de Pitágoras, mas aqui $a$ é a hipotenusa do triângulo retângulo formado por $b$, $c$ e o raio maior.

Vale notar a excentricidade $e=\dfrac{c}{a}$, com $0<e<1$: quanto mais perto de 0, mais a elipse lembra uma circunferência ($e=0$), e quanto mais perto de 1, mais achatada ela fica. Os vértices sobre o eixo maior são $(\pm a,0)$ e sobre o eixo menor $(\pm b,0)$, com cordas focais e laterais retas úteis em problemas de otimização e em questões que pedem a maior ou menor distância de um ponto da curva a um foco. Como exemplo concreto, tome $\frac{x^2}{25}+\frac{y^2}{9}=1$: aqui $a=5$, $b=3$ e $c=\sqrt{25-9}=4$, logo os focos são $(-4,0)$ e $(4,0)$; o ponto $(0,3)$ está sobre o eixo menor e dista 3 do centro (não 5, como às vezes se afirma por confundir $b$ com $a$) e a soma de suas distâncias aos focos vale $\sqrt{16+9}+\sqrt{16+9}=5+5=10=2a$, conferindo a definição.

Já o ponto $(5,0)$, vértice, dista 1 de um foco e 9 do outro, somando também 10 — bom teste para fixar que a soma é constante.

Elementos da elipse

Focos $F_{1},F_{2}$ com $F_{1}F_{2}=2c$; eixo maior $2a$, eixo menor $2b$; centro no ponto médio dos focos. Excentricidade $e=\frac{c}{a}$, com $0\lt e\lt 1$ — quanto mais próxima de zero, mais a elipse se aproxima de uma circunferência.

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A elipse é o lugar geométrico dos pontos cuja soma das distâncias a dois pontos fixos, os focos, é constante e igual a $2a$. Dessa definição decorre a relação fundamental $a^2=b^2+c^2$, que conecta os três parâmetros: $a$ (semieixo maior), $b$ (semieixo menor) e $c$ (semidistância focal). Como $a$ é sempre a maior dessas medidas, a excentricidade $e=c/a$ mede o quanto a elipse se afasta da forma circular: quando $e\to 0$, temos $c\to 0$ e $a\approx b$, ou seja, a curva tende a uma circunferência de raio $a$. Já valores próximos de $1$ indicam uma elipse bastante achatada. Na prática, reconhecer onde cada eixo se posiciona é essencial. Se o eixo maior é horizontal, com centro na origem, a equação reduzida é $\frac{x^2}{a^2}+\frac{y^2}{b^2}=1$, e os focos ficam em $(\pm c, 0)$.

Se o eixo maior é vertical, trocam-se os papéis: $\frac{x^2}{b^2}+\frac{y^2}{a^2}=1$, com focos em $(0, \pm c)$ — note que $a$ continua sendo o maior denominador, agora sob $y$. Por exemplo, tome $\frac{x^2}{25}+\frac{y^2}{9}=1$: temos $a=5$, $b=3$ e, como $a^2=b^2+c^2$, vem $25=9+c^2$, logo $c=4$. Os focos são $(\pm 4, 0)$, a excentricidade é $e=4/5=0,8$ e os vértices estão em $(\pm 5, 0)$ e $(0, \pm 3)$. Esse exemplo é típico: as provas raramente pedem a equação “crua” sem cobrar a identificação de $a$, $b$ e $c$, o cálculo de $e$ e a localização dos focos e vértices. Na Fuvest e na Unicamp, aparecem também itens que exigem completar quadrados para obter a forma reduzida — como em $4x^2+9y^2-16x+18y-11=0$, que após agrupar e completar quadrados vira $\frac{(x-2)^2}{9}+\frac{(y+1)^2}{4}=1$, revelando centro deslocado em $(2,-1)$, eixos $a=3$ e $b=2$ e focos deslocados —, além de problemas de interseção com retas e de otimização envolvendo a soma $2a$.

Relações métricas na elipse

$a^{2}=b^{2}+c^{2}$, com $a$ sempre o maior. Não confunda com Pitágoras usual: aqui o maior semieixo faz o papel de hipotenusa. Se $c=0$, então $a=b$ e a elipse degenera em circunferência.

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A relação $a^{2}=b^{2}+c^{2}$ nasce de uma construção geométrica elegante: tome o ponto da elipse situado na extremidade do eixo maior, a uma distância $a$ do centro; a soma das distâncias desse ponto aos dois focos é $2a$, e por simetria cada distância vale $a$. Aplicando o teorema de Pitágoras ao triângulo retângulo formado pelo centro, por um foco e pela extremidade do eixo menor, obtemos exatamente $a^{2}=b^{2}+c^{2}$, pois a hipotenusa é o segmento que liga o foco à extremidade do eixo menor e mede $a$. Daí decorre a excentricidade $e=\dfrac{c}{a}$, com $0\le e<1$: quanto mais próximo de 1, mais “achatada” é a elipse, e quanto mais perto de 0, mais ela se aproxima de uma circunferência.

Note ainda que $b=\sqrt{a^{2}-c^{2}}$, logo $b\le a$ sempre, o que confirma que o eixo maior é horizontal (ou vertical) quando $a>b$. Exemplo concreto: uma elipse de focos $F_1(-3,0)$ e $F_2(3,0)$, portanto $c=3$, e soma das distâncias igual a $10$, ou seja, $2a=10$ e $a=5$. Então $b^{2}=25-9=16$, logo $b=4$, e a equação reduzida é $\dfrac{x^{2}}{25}+\dfrac{y^{2}}{16}=1$, com excentricidade $e=\dfrac{3}{5}=0{,}6$.

Equações da elipse

Centro na origem e focos em $x$: $\frac{x^{2}}{a^{2}}+\frac{y^{2}}{b^{2}}=1$; focos em $y$: troca-se $a^{2}$ para o denominador de $y^{2}$. O eixo focal é o do maior denominador. Transladada: $\frac{(x-x_{0})^{2}}{a^{2}}+\frac{(y-y_{0})^{2}}{b^{2}}=1$.

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Vale lembrar que, por trás da equação, há a definição geométrica: a elipse é o lugar geométrico dos pontos cuja soma das distâncias a dois pontos fixos, os focos, é constante e igual a $2a$; dessa definição nasce a relação fundamental $a^{2}=b^{2}+c^{2}$, em que $c$ é a distância do centro a cada foco, e $a>b>0$ sempre mede o semieixo maior — justamente o que ocupa o maior denominador e define a direção do eixo focal. A excentricidade $e=\frac{c}{a}$, com $0<e<1$, mede o “achatamento”: perto de $0$ a elipse é quase uma circunferência e perto de $1$ ela se alonga, sendo muito cobrada em questões que pedem para identificar a elipse a partir de focos e vértices ou, inversamente, extrair focos e excentricidade da equação.

Na Fuvest e na Unicamp, a elipse raramente vem isolada: ela costuma ser combinada com Geometria Analítica, trigonometria ou até com a definição de lugar geométrico, exigindo do candidato não só decorar a equação, mas interpretar seus parâmetros e reconhecer que a posição do maior denominador determina todo o comportamento da curva, o que faz desse tópico um dos mais recorrentes e versáteis da Geometria Analítica nos vestibulares.

Hipérbole

Lugar geométrico dos pontos cuja diferença das distâncias a dois focos, em módulo, é constante e igual a $2a$. Tem dois ramos e duas assíntotas, das quais se aproxima indefinidamente sem tocar.

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A hipérbole se define pelo módulo da diferença das distâncias aos focos $F_1$ e $F_2$ ser constante: $|PF_1 - PF_2| = 2a$, com $2a < 2c$ (distância focal), garantindo $a < c$. Na forma reduzida centrada na origem com eixo real horizontal, temos $\frac{x^2}{a^2} - \frac{y^2}{b^2} = 1$, onde a relação fundamental é $c^2 = a^2 + b^2$, análoga à da elipse, mas com sinal trocado — detalhe que confunde muitos alunos. Os vértices ficam em $(\pm a, 0)$, os focos em $(\pm c, 0)$, e as assíntotas são $y = \pm \frac{b}{a}x$; quando o eixo real é vertical, tudo se inverte: $\frac{y^2}{a^2} - \frac{x^2}{b^2} = 1$, com assíntotas $y = \pm \frac{a}{b}x$.

Vale notar que a hipérbole é dita equilátera quando $a = b$, caso em que as assíntotas são perpendiculares. Como exemplo concreto, tome $\frac{x^2}{9} - \frac{y^2}{16} = 1$: então $a = 3$, $b = 4$ e $c = \sqrt{9+16} = 5$, com vértices em $(\pm 3, 0)$, focos em $(\pm 5, 0)$ e assíntotas $y = \pm \frac{4}{3}x$. Um ponto como $(5, \frac{16}{3})$ pertence à curva, pois $\frac{25}{9} - \frac{256/9}{16} = \frac{25}{9} - \frac{16}{9} = 1$.

Elementos da hipérbole

Focos a distância $2c$; eixo real (ou transverso) $2a$; eixo imaginário $2b$; excentricidade $e=\frac{c}{a}\gt 1$. Assíntotas $y=\pm\frac{b}{a}x$ quando o eixo real é horizontal. Se $a=b$, é equilátera, e as assíntotas ficam perpendiculares.

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A hipérbole é o conjunto dos pontos cuja diferença das distâncias a dois focos fixos é, em módulo, constante e igual a $2a$; essa definição focal explica por que a curva surge em duas partes separadas, os ramos, abertos ao longo do eixo real. Diferente da elipse, em que a soma é constante, aqui a subtração gera a relação fundamental $c^2=a^2+b^2$, e não $a^2=b^2+c^2$.

Vale notar que $b$ não é distância focal nem semieixo real: ele apenas parametriza a abertura dos ramos e o retângulo auxiliar de lados $2a$ e $2b$, cujas diagonais prolongadas são justamente as assíntotas. A equação reduzida com centro na origem e eixo real horizontal é $\frac{x^2}{a^2}-\frac{y^2}{b^2}=1$.

Relação métrica da hipérbole

$c^{2}=a^{2}+b^{2}$ — aqui, sim, o formato de Pitágoras, com $c$ como o maior. Guarde a diferença: na elipse o maior é $a$; na hipérbole, $c$. Trocar as duas relações é o erro mais frequente do tópico.

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Na hipérbole, a relação $c^{2}=a^{2}+b^{2}$ não é uma coincidência algébrica: ela nasce diretamente da definição geométrica como lugar geométrico dos pontos cuja diferença das distâncias a dois focos fixos é constante e igual a $2a$. Se você tomar o vértice da hipérbole, a diferença das distâncias até os dois focos vale exatamente $2a$; já no ponto médio entre os focos, essa mesma diferença se anula, mas a estrutura da curva ancora os parâmetros num triângulo retângulo imaginário de catetos $a$ e $b$ e hipotenusa $c$, o que explica por que aqui $c$ é o maior segmento. O eixo real mede $2a$ e contém os vértices; o eixo imaginário mede $2b$ e é perpendicular ao real, passando pelo centro; a distância focal mede $2c$.

As assíntotas, retas $y=\pm\frac{b}{a}x$ (na hipérbole centrada na origem com eixo real horizontal), dependem justamente dessa razão: quanto maior $b$ em relação a $a$, mais “aberta” a curva. A excentricidade $e=\frac{c}{a}$ é sempre maior que 1 e, como $c^{2}=a^{2}+b^{2}$, vale $e=\sqrt{1+\frac{b^{2}}{a^{2}}}$ — perceba que ela nunca chega a 1, o que distingue a hipérbole da elipse, cuja excentricidade fica entre 0 e 1. Exemplo concreto: se uma hipérbole tem $a=3$ e $b=4$, então $c^{2}=9+16=25$, logo $c=5$, os focos estão em $(\pm5,0)$, os vértices em $(\pm3,0)$ e as assíntotas são $y=\pm\frac{4}{3}x$.

Equações da hipérbole

$\frac{x^{2}}{a^{2}}-\frac{y^{2}}{b^{2}}=1$ (eixo real horizontal) ou $\frac{y^{2}}{a^{2}}-\frac{x^{2}}{b^{2}}=1$ (vertical). O sinal positivo indica o eixo real, não o maior denominador — diferença essencial em relação à elipse.

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A hipérbole nasce, na definição clássica, como o lugar geométrico dos pontos cuja diferença das distâncias a dois focos fixos tem módulo constante igual a $2a$ — repare que é diferença, e não soma como na elipse, e é justamente essa troca que produz dois ramos abertos em vez de uma curva fechada. Daí vem a relação fundamental $c^{2}=a^{2}+b^{2}$, em que $c$ é a distância do centro a cada foco: diferente da elipse, aqui $c>a$ sempre, e o número $b$ não é distância focal nenhuma, apenas o parâmetro que, junto com $a$, governa a abertura dos ramos pelas assíntotas $y=\pm\frac{b}{a}x$ (no caso horizontal). Essas retas são o esqueleto da curva: os ramos aproximam-se delas indefinidamente, sem nunca tangenciá-las, pois cruzar uma assíntota exigiria que a curva se fechasse.

Para montar a equação reduzida na prática, o roteiro é sempre o mesmo: identificar o eixo real, achar $a$ pela distância entre os vértices, achar $c$ pela distância entre os focos e obter $b$ por $b^{2}=c^{2}-a^{2}$; se a equação vier na forma geral $Ax^{2}+By^{2}+Cx+Dy+E=0$ com $A$ e $B$ de sinais opostos, complete quadrados e normalize até chegar à forma reduzida. Exemplo concreto: focos em $(\pm5,0)$ e vértices em $(\pm3,0)$ dão $a=3$, $c=5$, logo $b^{2}=25-9=16$ e a equação $\frac{x^{2}}{9}-\frac{y^{2}}{16}=1$, com assíntotas $y=\pm\frac{4}{3}x$; o ponto $(5,\frac{16}{3})$ satisfaz $\frac{25}{9}-\frac{256}{144}=1$, confirmando que a curva passa exatamente sobre a assíntota apenas no limite, à medida que $x$ cresce.

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  • Elipse e hipérbole pelos focos

    Elipse: soma das distâncias aos focos é constante (2a). Hipérbole: a diferença é constante. Arraste os focos e mude a.