Elipse
Lugar geométrico dos pontos cuja soma das distâncias a dois focos é constante e igual a $2a$. É a órbita dos planetas (1ª lei de Kepler) e o formato das salas de sussurro, por refletir todo raio de um foco no outro.
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Na elipse de eixos paralelos aos coordenados e centro na origem, a equação reduzida $\frac{x^2}{a^2}+\frac{y^2}{b^2}=1$ (com $a>b>0$ no eixo maior horizontal) sintetiza a definição: todo ponto $(x,y)$ que a satisfaz tem soma de distâncias aos focos $F_1(-c,0)$ e $F_2(c,0)$ igual a $2a$, sendo $c=\sqrt{a^2-b^2}$ a distância focal e $c^2=a^2-b^2$, ou seja, $b^2=a^2-c^2$ — relação que costuma ser confundida com a de Pitágoras, mas aqui $a$ é a hipotenusa do triângulo retângulo formado por $b$, $c$ e o raio maior.
Vale notar a excentricidade $e=\dfrac{c}{a}$, com $0<e<1$: quanto mais perto de 0, mais a elipse lembra uma circunferência ($e=0$), e quanto mais perto de 1, mais achatada ela fica. Os vértices sobre o eixo maior são $(\pm a,0)$ e sobre o eixo menor $(\pm b,0)$, com cordas focais e laterais retas úteis em problemas de otimização e em questões que pedem a maior ou menor distância de um ponto da curva a um foco. Como exemplo concreto, tome $\frac{x^2}{25}+\frac{y^2}{9}=1$: aqui $a=5$, $b=3$ e $c=\sqrt{25-9}=4$, logo os focos são $(-4,0)$ e $(4,0)$; o ponto $(0,3)$ está sobre o eixo menor e dista 3 do centro (não 5, como às vezes se afirma por confundir $b$ com $a$) e a soma de suas distâncias aos focos vale $\sqrt{16+9}+\sqrt{16+9}=5+5=10=2a$, conferindo a definição.
Já o ponto $(5,0)$, vértice, dista 1 de um foco e 9 do outro, somando também 10 — bom teste para fixar que a soma é constante.
Elementos da elipse
Focos $F_{1},F_{2}$ com $F_{1}F_{2}=2c$; eixo maior $2a$, eixo menor $2b$; centro no ponto médio dos focos. Excentricidade $e=\frac{c}{a}$, com $0\lt e\lt 1$ — quanto mais próxima de zero, mais a elipse se aproxima de uma circunferência.
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A elipse é o lugar geométrico dos pontos cuja soma das distâncias a dois pontos fixos, os focos, é constante e igual a $2a$. Dessa definição decorre a relação fundamental $a^2=b^2+c^2$, que conecta os três parâmetros: $a$ (semieixo maior), $b$ (semieixo menor) e $c$ (semidistância focal). Como $a$ é sempre a maior dessas medidas, a excentricidade $e=c/a$ mede o quanto a elipse se afasta da forma circular: quando $e\to 0$, temos $c\to 0$ e $a\approx b$, ou seja, a curva tende a uma circunferência de raio $a$. Já valores próximos de $1$ indicam uma elipse bastante achatada. Na prática, reconhecer onde cada eixo se posiciona é essencial. Se o eixo maior é horizontal, com centro na origem, a equação reduzida é $\frac{x^2}{a^2}+\frac{y^2}{b^2}=1$, e os focos ficam em $(\pm c, 0)$.
Se o eixo maior é vertical, trocam-se os papéis: $\frac{x^2}{b^2}+\frac{y^2}{a^2}=1$, com focos em $(0, \pm c)$ — note que $a$ continua sendo o maior denominador, agora sob $y$. Por exemplo, tome $\frac{x^2}{25}+\frac{y^2}{9}=1$: temos $a=5$, $b=3$ e, como $a^2=b^2+c^2$, vem $25=9+c^2$, logo $c=4$. Os focos são $(\pm 4, 0)$, a excentricidade é $e=4/5=0,8$ e os vértices estão em $(\pm 5, 0)$ e $(0, \pm 3)$. Esse exemplo é típico: as provas raramente pedem a equação “crua” sem cobrar a identificação de $a$, $b$ e $c$, o cálculo de $e$ e a localização dos focos e vértices. Na Fuvest e na Unicamp, aparecem também itens que exigem completar quadrados para obter a forma reduzida — como em $4x^2+9y^2-16x+18y-11=0$, que após agrupar e completar quadrados vira $\frac{(x-2)^2}{9}+\frac{(y+1)^2}{4}=1$, revelando centro deslocado em $(2,-1)$, eixos $a=3$ e $b=2$ e focos deslocados —, além de problemas de interseção com retas e de otimização envolvendo a soma $2a$.
Relações métricas na elipse
$a^{2}=b^{2}+c^{2}$, com $a$ sempre o maior. Não confunda com Pitágoras usual: aqui o maior semieixo faz o papel de hipotenusa. Se $c=0$, então $a=b$ e a elipse degenera em circunferência.
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A relação $a^{2}=b^{2}+c^{2}$ nasce de uma construção geométrica elegante: tome o ponto da elipse situado na extremidade do eixo maior, a uma distância $a$ do centro; a soma das distâncias desse ponto aos dois focos é $2a$, e por simetria cada distância vale $a$. Aplicando o teorema de Pitágoras ao triângulo retângulo formado pelo centro, por um foco e pela extremidade do eixo menor, obtemos exatamente $a^{2}=b^{2}+c^{2}$, pois a hipotenusa é o segmento que liga o foco à extremidade do eixo menor e mede $a$. Daí decorre a excentricidade $e=\dfrac{c}{a}$, com $0\le e<1$: quanto mais próximo de 1, mais “achatada” é a elipse, e quanto mais perto de 0, mais ela se aproxima de uma circunferência.
Note ainda que $b=\sqrt{a^{2}-c^{2}}$, logo $b\le a$ sempre, o que confirma que o eixo maior é horizontal (ou vertical) quando $a>b$. Exemplo concreto: uma elipse de focos $F_1(-3,0)$ e $F_2(3,0)$, portanto $c=3$, e soma das distâncias igual a $10$, ou seja, $2a=10$ e $a=5$. Então $b^{2}=25-9=16$, logo $b=4$, e a equação reduzida é $\dfrac{x^{2}}{25}+\dfrac{y^{2}}{16}=1$, com excentricidade $e=\dfrac{3}{5}=0{,}6$.
Equações da elipse
Centro na origem e focos em $x$: $\frac{x^{2}}{a^{2}}+\frac{y^{2}}{b^{2}}=1$; focos em $y$: troca-se $a^{2}$ para o denominador de $y^{2}$. O eixo focal é o do maior denominador. Transladada: $\frac{(x-x_{0})^{2}}{a^{2}}+\frac{(y-y_{0})^{2}}{b^{2}}=1$.
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Vale lembrar que, por trás da equação, há a definição geométrica: a elipse é o lugar geométrico dos pontos cuja soma das distâncias a dois pontos fixos, os focos, é constante e igual a $2a$; dessa definição nasce a relação fundamental $a^{2}=b^{2}+c^{2}$, em que $c$ é a distância do centro a cada foco, e $a>b>0$ sempre mede o semieixo maior — justamente o que ocupa o maior denominador e define a direção do eixo focal. A excentricidade $e=\frac{c}{a}$, com $0<e<1$, mede o “achatamento”: perto de $0$ a elipse é quase uma circunferência e perto de $1$ ela se alonga, sendo muito cobrada em questões que pedem para identificar a elipse a partir de focos e vértices ou, inversamente, extrair focos e excentricidade da equação.
Na Fuvest e na Unicamp, a elipse raramente vem isolada: ela costuma ser combinada com Geometria Analítica, trigonometria ou até com a definição de lugar geométrico, exigindo do candidato não só decorar a equação, mas interpretar seus parâmetros e reconhecer que a posição do maior denominador determina todo o comportamento da curva, o que faz desse tópico um dos mais recorrentes e versáteis da Geometria Analítica nos vestibulares.