A completude de $\mathbb{R}$ significa que toda sequência de Cauchy de reais converge para um real, o que não ocorre em $\mathbb{Q}$ — por exemplo, as aproximações decimais truncadas de $\sqrt{2}$ formam uma sequência de racionais que "quer" convergir, mas seu limite não pertence a $\mathbb{Q}$; é exatamente essa falha que a construção por cortes de Dedekind ou por classes de sequências de Cauchy corrige, e é isso que garante a existência de supremos e ínfimos para conjuntos limitados. Outro ponto que as provas exploram é a distinção entre algébricos e transcendentes: todo racional é algébrico, mas irracionais como $\sqrt{2}$ e $\sqrt[3]{5}$ também são algébricos, pois são raízes de polinômios com coeficientes inteiros, enquanto $\pi$ e $e$ são transcendentes, ou seja, não satisfazem nenhuma equação polinomial de coeficientes inteiros não nulos — a demonstração da transcendência de $\pi$ é sofisticada e normalmente não é cobrada, mas sua classificação como irracional é.
A representação decimal é um critério prático valioso: um número é racional se e somente se sua expansão decimal é finita ou infinita periódica, de modo que $0{,}333\ldots=\tfrac{1}{3}$ e $0{,}121212\ldots=\tfrac{4}{33}$, ao passo que $0{,}101001000100001\ldots$ é irracional, pois sua parte decimal não é periódica. Já a densidade tem consequência surpreendente: embora $\mathbb{Q}$ seja enumerável e "muito menor" que $\mathbb{I}$, entre $a<b$ quaisquer sempre existem infinitos racionais e infinitos irracionais, e isso permite construir sequências de racionais convergindo para qualquer irracional e vice-versa. Um cuidado clássico é que produto de irracionais também pode ser racional, como $\sqrt{2}\cdot\sqrt{2}=2$, e que a soma de um racional com um irracional é sempre irracional — fato útil para provar, por absurdo, a irracionalidade de números como $\sqrt{3}$ e $\log_{10}2$.
Na Fuvest, na Unicamp e no ENEM, o tema aparece em questões que pedem identificar a natureza de um número dado, comparar decimais, determinar intervalos com racionais e irracionais ou usar a densidade para justificar afirmações sobre aproximações, sempre exigindo que o candidato domine tanto a definição quanto as operações que preservam ou destroem cada conjunto.