F3 · Aulas 41–42

Posições relativas no espaço

Condições de determinação

No espaço, duas retas podem ser concorrentes, paralelas ou reversas — estas últimas não são coplanares e não existem no plano. Reta e plano: contida, paralela ou secante. Dois planos: paralelos, coincidentes ou secantes segundo uma reta.

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As condições de determinação no espaço são os conjuntos mínimos de elementos que fixam, sem ambiguidade, uma figura geométrica — e é justamente aqui que a geometria espacial se distancia da plana, pois no espaço um único ponto, ou dois pontos, ou uma reta e um ponto externo comportam-se de modo diferente do que intuímos no plano. Um plano, por exemplo, fica determinado por três pontos não colineares, por uma reta e um ponto fora dela, ou por duas retas concorrentes; duas retas paralelas também determinam um plano, mas duas retas reversas não determinam plano algum, já que não são coplanares. Já uma reta fica determinada por dois pontos distintos, e um ponto por suas três coordenadas — daí a necessidade de três informações independentes para localizar algo no espaço, contra apenas duas no plano.

Exemplo concreto: sejam A(0,0,0), B(1,0,0) e C(0,1,0); esses três pontos não colineares determinam o plano z = 0, e qualquer quarto ponto D(0,0,1) está fora dele, de modo que a reta por A e D é reversa em relação à reta por B e C — verificação rápida pelo produto misto (D−A)·[(B−A)×(C−A)] ≠ 0.

Dominar essas condições é, portanto, pré-requisito para resolver interseções, ângulos e distâncias, pois só sabendo qual figura está de fato determinada é possível calcular algo sobre ela com segurança.

Determinação da reta

Dois pontos distintos determinam uma única reta; ou a interseção de dois planos secantes. Note que três pontos podem não ser colineares, mas dois sempre determinam reta — base dos problemas de contagem de retas a partir de $n$ pontos.

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A determinação de uma reta no espaço apoia-se em dois pilares: o postulado da unicidade e a independência linear entre pontos e direções. Dois pontos distintos, $A$ e $B$, definem o vetor diretor $\vec{v} = B - A$, e a reta é o conjunto $A + t\vec{v}$, com $t \in \mathbb{R}$; essa parametrização garante que não existam duas retas distintas passando por $A$ e $B$, pois qualquer outra exigiria um diretor paralelo a $\vec{v}$, o que reproduz a mesma reta. A alternativa via planos secantes é igualmente importante: se $\alpha$ e $\beta$ são planos não paralelos, sua interseção é uma reta, e isso conecta a determinação ao estudo de sistemas lineares, pois cada plano corresponde a uma equação do tipo $ax + by + cz = d$.

Determinação do plano

Quatro modos: três pontos não colineares; uma reta e um ponto fora dela; duas retas concorrentes; duas retas paralelas distintas. Duas retas reversas não determinam plano algum — é a exceção que as questões conceituais exploram.

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Determinar um plano significa exibir condições mínimas que garantam sua existência e unicidade: não basta que algo "caiba" em algum plano, é preciso que fique preso a um, e só a um. O critério geral é pensar em "graus de liberdade": um ponto isolado deixa infinitos planos passando por ele; dois pontos definem apenas uma direção, e ainda giram em torno da reta que formam; é a terceira condição que "trava" o giro. Por isso três pontos não colineares funcionam — os vetores que ligam um deles aos outros dois são linearmente independentes, gerando o plano via combinação linear mais um ponto-base. Nos outros casos, a independência aparece disfarçada: uma reta e um ponto fora dela contribuem com uma direção (a da reta) e outra não paralela (do ponto à reta); duas retas concorrentes trazem duas direções distintas compartilhando um ponto; duas retas paralelas distintas oferecem duas direções iguais, mas pontos diferentes, o que também fixa o plano.

Exemplo concreto: em um cubo de vértices A, B, C, D na face inferior e E, F, G, H na superior, os pontos A, C e F não são colineares e determinam o plano diagonal ACF; já as retas AB e GH, sendo reversas (não paralelas e sem ponto comum), não determinam plano algum, pois qualquer plano contendo AB intersectaria o plano da face superior segundo uma reta paralela a AB, nunca GH.

Condições de perpendicularismo

Uma reta é perpendicular a um plano quando é perpendicular a duas retas concorrentes desse plano — verificar uma só não basta. Dois planos são perpendiculares se um contém uma reta perpendicular ao outro. Se $r\perp\alpha$, então $r$ é perpendicular a toda reta de $\alpha$.

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O perpendicularismo no espaço exige cuidado porque, ao contrário da geometria plana, duas retas podem formar ângulo reto sem se tocar — são as retas ortogonais, caso em que o ângulo reto é medido entre uma delas e uma paralela à outra passando por um ponto da primeira. Já a perpendicularidade propriamente dita entre reta e plano combina ortogonalidade e interseção: a reta corta o plano e é ortogonal a todas as retas contidas nele que passam pelo ponto de corte. O critério das duas retas concorrentes funciona porque, se uma reta é ortogonal a duas direções independentes do plano, ela é ortogonal a toda combinação linear delas, isto é, a qualquer direção contida no plano — é aí que entra a dependência linear dos vetores.

Projeção ortogonal

A “sombra” da figura no plano, obtida baixando perpendiculares. A projeção de um segmento é menor ou igual a ele; de uma circunferência inclinada, uma elipse. É o que permite calcular distâncias e ângulos entre reta e plano, e reduzir problemas espaciais a planos.

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O conceito formal de projeção ortogonal de um ponto sobre um plano é o ponto de interseção desse plano com a reta perpendicular a ele que passa pelo ponto; a partir dessa definição, a projeção de qualquer figura é o conjunto das projeções de seus pontos, o que explica por que esse instrumento é tão poderoso na geometria espacial: ele transforma um problema tridimensional em um problema bidimensional, preservando certas relações métricas e destruindo outras. Vale destacar a diferença entre projetar sobre uma reta e sobre um plano: na projeção ortogonal sobre uma reta, a distância entre as projeções de dois pontos é o módulo do produto escalar do vetor que os une pelo versor da reta, o que dá a “componente” do deslocamento naquela direção; já na projeção sobre um plano, o que se conserva é a componente paralela ao plano, e a distância entre o ponto e sua projeção é exatamente a distância do ponto ao plano, obtida pela fórmula d = |ax₀ + by₀ + cz₀ + d| / √(a² + b² + c²) para o plano ax + by + cz + d = 0.

Triedro de faces α, β e γ

Três semirretas de mesma origem formam um triedro. Cada face é menor que a soma das outras duas — desigualdade triangular no espaço — e a soma das três está entre $0°$ e $360°$. É o que fundamenta a existência de vértices em poliedros.

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O triedro de faces α, β e γ é a generalização tridimensional do ângulo plano: em vez de duas semirretas com origem comum delimitando uma região, tomamos três semirretas não coplanares partindo do mesmo ponto, o vértice, que aos pares definem três ângulos diedros e três ângulos de face. Cada face é o ângulo entre duas dessas arestas, medido no plano que as contém, e a condição de existência é que cada face seja menor que a soma das outras duas e maior que o módulo da diferença entre elas — exatamente a desigualdade triangular aplicada aos ângulos, pois se uma face igualasse ou superasse a soma das demais, as três arestas seriam coplanares e o triedro degeneraria num diedro.

Além disso, a soma das três faces é sempre menor que $360°$, já que um triedro não pode ser “achatado” além do plano.