F3 · Aulas 27–28

Equações da reta

Coeficiente angular

$m=\operatorname{tg}\theta=\frac{y_{B}-y_{A}}{x_{B}-x_{A}}$, com $\theta$ a inclinação medida do eixo $x$ no sentido anti-horário. Reta horizontal tem $m=0$; reta vertical não tem coeficiente angular, pois $\theta=90°$ — exceção que invalida a forma reduzida.

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O coeficiente angular mede a taxa de variação de $y$ em relação a $x$ e funciona como a "inclinação" da reta: avançar uma unidade em $x$ faz $y$ variar exatamente $m$ unidades. Por isso ele aparece disfarçado em vários contextos — na Física, é a velocidade em um gráfico posição×tempo; em uma tabela de custos, é o custo marginal. Note também o sinal: se $m>0$, a reta sobe da esquerda para a direita ($0°<\theta<90°$); se $m<0$, desce ($90°<\theta<180°$). Além disso, o coeficiente angular é o que decide o paralelismo e o perpendicularismo: duas retas são paralelas quando têm o mesmo $m$, e são perpendiculares quando $m_1\cdot m_2=-1$ (com o cuidado de tratar à parte os casos verticais, em que uma reta horizontal é perpendicular a uma vertical).

Veja um exemplo concreto: tome $A(1,2)$ e $B(4,8)$. Então $m=\frac{8-2}{4-1}=\frac{6}{3}=2$, e a equação reduzida fica $y-2=2(x-1)$, ou seja, $y=2x$. Confirme: para $x=1$, $y=2$; para $x=4$, $y=8$ — a reta passa mesmo pelos dois pontos, e cada passo de 1 em $x$ eleva $y$ em 2.

Equações da reta

Quatro roupagens da mesma reta. Escolha pela informação dada: ponto e coeficiente, dois pontos, ou os interceptos. Saber migrar entre elas em segundos vale mais que decorar cada uma — a prova costuma dar uma forma e pedir outra.

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Toda reta no plano cartesiano nasce de uma relação entre duas variáveis, e o coeficiente angular m mede a taxa de variação de y por unidade de x, ou seja, a inclinação: m = Δy/Δx. Esse valor é constante para qualquer par de pontos da reta, o que garante que a forma y = mx + n (equação reduzida), com n sendo o coeficiente linear, o ponto onde a reta corta o eixo y, descreva completamente o objeto geométrico. A equação geral ax + by + c = 0 é mais abrangente porque cobre também retas verticais (onde m é indefinido), e é dela que se extrai a normal (a, b) e o coeficiente angular m = −a/b. Já a forma segmentária x/p + y/q = 1 entrega diretamente os interceptos com os eixos, e a paramétrica expressa cada coordenada em função de um parâmetro t, útil quando se tem um ponto e um vetor diretor.

Considere a reta que passa por A(1, 3) e B(4, 9): calculando m = (9 − 3)/(4 − 1) = 2, substituindo A na reduzida obtém-se 3 = 2·1 + n, logo n = 1 e y = 2x + 1; migrando para a geral, 2x − y + 1 = 0, e para a segmentária, x/(−½) + y/1 = 1, confirmando que ela corta y em 1 e x em −0,5.

Equação geral da reta

$ax+by+c=0$, com $a$ e $b$ não simultaneamente nulos. Serve para toda reta, inclusive as verticais, e é a forma exigida na fórmula da distância ponto-reta. Dela se lê $m=-\frac{a}{b}$, quando $b\neq 0$.

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A equação geral nasce de uma observação vetorial simples: dados dois pontos $A(x_1,y_1)$ e $B(x_2,y_2)$ de uma reta, um ponto $P(x,y)$ pertence a ela se, e somente se, o vetor $\vec{AP}=(x-x_1,\,y-y_1)$ for paralelo ao vetor diretor $\vec{AB}=(x_2-x_1,\,y_2-y_1)$, o que se traduz em $\det\begin{pmatrix}x-x_1 & y-y_1\\ x_2-x_1 & y_2-y_1\end{pmatrix}=0$, ou seja, $(y_2-y_1)(x-x_1)-(x_2-x_1)(y-y_1)=0$. Desenvolvendo, chega-se a $ax+by+c=0$ com $a=y_2-y_1$, $b=-(x_2-x_1)$ e $c=x_1y_2-x_2y_1$; assim, o coeficiente $a$ mede a variação vertical e $b$ o oposto da variação horizontal, o que explica por que o vetor normal à reta é $\vec{n}=(a,b)$, perpendicular a $(b,-a)$, que é diretor.

Essa leitura é decisiva: para obter a equação geral conhecendo um ponto $P_0(x_0,y_0)$ e o coeficiente angular $m$, escreve-se $y-y_0=m(x-x_0)$ e rearranja-se para $mx-y+(y_0-mx_0)=0$; se a reta é vertical, $x=x_0$ vira $1\cdot x+0\cdot y-x_0=0$, caso em que a forma reduzida $y=mx+n$ simplesmente não existe, mas a geral continua válida. Exemplo concreto: por $A(1,2)$ e $B(3,8)$, temos $a=6$, $b=-2$ e $c=1\cdot8-3\cdot2=2$, logo $6x-2y+2=0$, ou $3x-y+1=0$; conferindo, $m=-\frac{a}{b}=-\frac{3}{-1}=3$, coerente com $\frac{8-2}{3-1}=3$.

Equação fundamental da reta

$y-y_{0}=m(x-x_{0})$: usa um ponto e o coeficiente angular. É a forma mais rápida na prova — monte e só depois desenvolva, se pedirem. Não descreve retas verticais, cuja equação é simplesmente $x=x_{0}$.

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A equação fundamental nasce de uma pergunta simples: como garantir que um ponto genérico $(x,y)$ esteja alinhado a um ponto conhecido $(x_0,y_0)$ seguindo uma direção fixa? A resposta vem do coeficiente angular $m$, que mede a inclinação e é definido como a razão entre a variação vertical e a horizontal, $m=\frac{\Delta y}{\Delta x}$. Igualando essa razão para o ponto fixo e o ponto genérico, chega-se a $\frac{y-y_0}{x-x_0}=m$, que, multiplicada em cruz, dá $y-y_0=m(x-x_0)$. Por isso a forma é dita "fundamental": basta conhecer um ponto e a inclinação para escrever qualquer reta não vertical — o coeficiente angular pode vir da taxa de variação de um problema, do ângulo de inclinação ($m=\tan\theta$) ou de dois pontos pela fórmula $m=\frac{y_2-y_1}{x_2-x_1}$.

Vale notar que a equação não é única em aparência: escolher outro ponto da mesma reta gera expressão diferente, mas equivalente após a distribuição, e desenvolver a forma fundamental conduz naturalmente à equação reduzida $y=mx+b$, com $b=y_0-mx_0$ sendo o coeficiente linear.

Equação reduzida da reta

$y=mx+n$, com $m$ o coeficiente angular e $n$ o linear, onde a reta corta o eixo $y$. É a forma ideal para comparar paralelismo e perpendicularismo e para esboçar o gráfico. Também não cobre retas verticais.

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A equação reduzida nasce de isolar y na equação geral $ax+by+c=0$, o que só é possível quando $b\neq0$; dividindo tudo por $b$, chega-se a $y=-\frac{a}{b}x-\frac{c}{b}$, donde $m=-\frac{a}{b}$ e $n=-\frac{c}{b}$ — e é justamente essa a origem da forma $y=mx+n$ que você já conhece. O coeficiente angular $m$ mede a variação de $y$ para cada unidade de $x$, ou seja, $m=\frac{\Delta y}{\Delta x}=\tan\theta$, com $\theta$ o ângulo de inclinação da reta em relação ao eixo $x$; por isso $m>0$ indica reta crescente, $m<0$ decrescente, $m=0$ horizontal e $|m|$ grande traduz reta íngreme. Já $n$ é a ordenada do ponto onde a reta cruza o eixo $y$, obtida fazendo $x=0$: o ponto $(0,n)$ é a interceptação vertical, e não confunda com a raiz da função, que é onde $y=0$ e vale $x=-\frac{n}{m}$ (quando $m\neq0$).

Para obter a reduzida, há dois caminhos práticos: dado um ponto $(x_0,y_0)$ e o coeficiente angular $m$, use $y-y_0=m(x-x_0)$ e isole $y$; dados dois pontos distintos, calcule $m=\frac{y_2-y_1}{x_2-x_1}$ e depois substitua um deles para achar $n$. Exemplo concreto: a reta que passa por $A(1,3)$ e $B(4,9)$ tem $m=\frac{9-3}{4-1}=2$; usando $A$, $3=2\cdot1+n$, logo $n=1$ e $y=2x+1$, reta que corta o eixo $y$ em $(0,1)$ e o eixo $x$ em $\left(-\frac{1}{2},0\right)$.

Equação segmentária da reta

$\frac{x}{p}+\frac{y}{q}=1$, com $p$ e $q$ os interceptos nos eixos. Lê-se o desenho de imediato, e a área do triângulo formado com os eixos é $\frac{|pq|}{2}$ — questão frequente. Exige $p,q\neq 0$: não serve para retas pela origem.

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A equação segmentária nasce de uma ideia simples e poderosa: toda reta que cruza os dois eixos coordenados em pontos distintos pode ser descrita olhando-se apenas para onde ela "corta" cada eixo. Se a reta intercepta o eixo $x$ em $(p,0)$ e o eixo $y$ em $(0,q)$, então, partindo da forma geral $ax+by+c=0$ e impondo essas duas condições, chega-se a $\frac{x}{p}+\frac{y}{q}=1$. O grande atrativo é a leitura imediata: sem calcular coeficiente angular nem manipular coeficientes, você enxerga os interceptos. Por isso, ela é a forma preferida quando o problema fornece justamente os pontos de corte, a área do triângulo com os eixos ou pede a reta que delimita uma região.

Veja um exemplo concreto: uma reta passa por $(4,0)$ e $(0,-3)$; sua equação segmentária é $\frac{x}{4}+\frac{y}{-3}=1$, ou seja, $\frac{x}{4}-\frac{y}{3}=1$. Multiplicando por 12, obtém-se $3x-4y=12$, e a área do triângulo formado com os eixos é $\frac{|4\cdot(-3)|}{2}=6$.

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  • Equação da reta — coeficiente angular e inclinação

    Arraste A e B: m = Δy/Δx = tg α, onde α é a inclinação com o eixo x. A reta é y − y₀ = m(x − x₀).