F1 · Aulas 7–8

Classificações das funções

Crescente ou decrescente

Crescente se $x_{1}\lt x_{2}\Rightarrow f(x_{1})\lt f(x_{2})$; decrescente ao contrário. A propriedade é local: informe sempre o intervalo. Consequência útil: função estritamente monótona é injetora, e num intervalo de monotonicidade a inequação $f(x)\lt f(y)$ equivale a comparar $x$ e $y$.

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Toda função real definida num intervalo pode ser lida como uma máquina que associa a cada entrada um único valor de saída, e o estudo da monotonicidade investiga o sentido em que essa máquina "caminha" quando percorremos o domínio da esquerda para a direita; se ela sempre sobe, chamamos crescente, e se sempre desce, decrescente, sendo essencial perceber que esse comportamento não é uma etiqueta global da função, mas sim uma propriedade do intervalo considerado, de modo que uma mesma função pode ser crescente num trecho e decrescente em outro, como ocorre com $f(x)=x^2$, que é decrescente em $(-\infty,0]$ e crescente em $[0,+\infty)$, sendo a parábola o exemplo canônico dessa alternância de comportamento. Na prática, a derivada funciona como detector de monotonicidade: quando $f'(x)\gt 0$ num intervalo, a função é estritamente crescente ali, e quando $f'(x)\lt 0$, é estritamente decrescente, o que transforma o estudo do sinal da derivada numa ferramenta direta de classificação.

Vale destacar que a monotonicidade estrita garante injetividade no intervalo, propriedade muito explorada em questões que pedem para decidir se é possível "cancelar" a função dos dois lados de uma desigualdade; é justamente esse cancelamento que permite resolver inequações do tipo $2^{x}\lt 2^{y}$ escrevendo simplesmente $x\lt y$, pois a exponencial de base maior que $1$ é crescente em toda a reta, enquanto para base entre $0$ e $1$ o sinal da desigualdade se inverte.

Sobrejetora, injetora e bijetora

Sobrejetora: $\mathrm{Im}(f)=B$. Injetora: $x_{1}\neq x_{2}\Rightarrow f(x_{1})\neq f(x_{2})$ (teste da reta horizontal). Bijetora: ambas — única condição para existir inversa. Truque de prova: restringir domínio ou contradomínio transforma qualquer função em bijetora.

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Para dominar de verdade essas classificações, pense nelas como perguntas sobre o "alcance" e a "fidelidade" da função. A injetividade pergunta se elementos distintos do domínio sempre produzem imagens distintas no contradomínio — ou seja, nenhum valor de $y$ é atingido por dois $x$ diferentes; graficamente, qualquer reta horizontal corta o gráfico no máximo uma vez, o que explica por que funções como $f(x)=x^{2}$ em $\mathbb{R}$ falham (a reta $y=4$ corta em $x=2$ e $x=-2$). Já a sobrejetividade pergunta se todo elemento do contradomínio é efetivamente atingido, isto é, se $\mathrm{Im}(f)=B$; assim, $f(x)=e^{x}$ com contradomínio $\mathbb{R}$ é injetora mas não sobrejetora, pois nenhum $x$ real produz $e^{x}\le 0$ — só vira bijetora se restringirmos o contradomínio a $\mathbb{R}_{+}^{*}$.

Esse par de perguntas é independente: há funções só injetoras, só sobrejetoras, ambas (bijetoras) ou nenhuma, e por isso vale sempre localizar primeiro domínio e contradomínio no enunciado.

Paridade

Par: $f(-x)=f(x)$, simetria no eixo $y$ (ex.: $x^{2}$, $\cos x$). Ímpar: $f(-x)=-f(x)$, simetria na origem (ex.: $x^{3}$, $\operatorname{sen}x$). A maioria não é nem uma nem outra. Se $f$ é ímpar e $0$ está no domínio, então $f(0)=0$.

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A paridade de uma função é, antes de tudo, uma propriedade de **simetria do gráfico em relação ao eixo $y$ ou à origem**, e só pode ser investigada quando o domínio é simétrico em relação a zero — ou seja, se $x$ está no domínio, então $-x$ também está; sem isso, nem par nem ímpar fazem sentido, e é exatamente aí que muita gente escorrega. Mais do que decorar as fórmulas, entenda o que elas dizem: funções pares tratam entradas opostas como equivalentes, produzindo o mesmo valor; funções ímpares tratam entradas opostas como "espelhadas com troca de sinal", de modo que o valor de uma é o oposto do valor da outra.

Fuvest e Unicamp gostam de cobrir isso em questões de múltipla escolha ou com gráficos; ITA e IME costumam exigir demonstrações algébricas mais finas, inclusive envolvendo composição de funções pares e ímpares e a paridade resultante, então treine não apenas calcular $f(-x)$, mas justificar cada passo com o domínio e concluir corretamente.

Periodicidade

Existe $p\gt 0$ com $f(x+p)=f(x)$ para todo $x$; o menor deles é o período. O gráfico repete o padrão a cada $p$. Referência: $\operatorname{sen}x$ e $\cos x$ têm período $2\pi$; $\operatorname{tg}x$, período $\pi$; e $f(kx)$ tem período $\frac{p}{|k|}$.

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A periodicidade vai além da definição: dizemos que uma função é periódica quando seu comportamento se repete indefinidamente em intervalos regulares do domínio, e o período fundamental é o menor valor positivo com essa propriedade — qualquer outro período é múltiplo inteiro dele. Um cuidado que as provas adoram explorar é restringir o domínio: uma função que parece periódica fora de um intervalo pode deixar de ser dentro dele, pois basta um ponto onde a repetição falhe para a definição ruir. Outro ponto importante é a composição com transformações lineares: se $f$ tem período $p$, então $g(x)=f(kx)$ tem período $\frac{p}{|k|}$, mas cuidado, $h(x)=f(x)+g(x)$ só será periódica se a razão entre os períodos for racional; por exemplo, $\operatorname{sen}x+\operatorname{sen}(\pi x)$ não é periódica, pois $1$ e $\frac{2}{\pi}$ são incomensuráveis.

Dominar essas três frentes garante os pontos, pois a banca quase sempre mistura definição com aplicação direta.

Interpretação de gráficos

Leia no desenho: domínio (projeção em $x$), imagem (projeção em $y$), raízes, valor inicial $f(0)$, sinal, monotonicidade, máximos e mínimos. Cai muito na Unicamp: questões só com gráfico, sem lei algébrica — a resposta está em ler pontos e taxas de variação.

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Interpretar um gráfico é traduzir geometria em informação: cada ponto $(x, y)$ da curva diz que $f(x)=y$, de modo que o eixo horizontal funciona como "entrada" e o vertical como "saída" do fenômeno modelado. O primeiro passo é determinar o domínio visual, isto é, o intervalo de $x$ efetivamente coberto pela curva (atenção a círculos abertos, que indicam pontos excluídos, e a setas, que sugerem prolongamento), e a imagem, que é o intervalo de $y$ alcançado pelo traço. A leitura fina combina três olhares: o vertical (para cada $x$, qual altura $y$?), o horizontal (para cada $y$, quantos $x$ o atingem?) e o pontual (raízes onde a curva corta o eixo $x$, valor inicial $f(0)$ onde ela corta o eixo $y$, máximos e mínimos locais onde a tangente é horizontal).

O sinal de $f$ é imediato: acima do eixo $x$ é positivo, abaixo é negativo; a monotonicidade também é visual — curva subindo é crescente, descendo é decrescente, e a taxa de variação média entre dois pontos é simplesmente a inclinação da reta que os une, $\frac{\Delta y}{\Delta x}$. Considere o gráfico de um objeto em movimento: uma reta decrescente ligando $(0, 100)$ a $(5, 0)$ descreve uma função afim decrescente, com domínio $[0,5]$, imagem $[0,100]$, raiz em $x=5$ e taxa de variação de $-20$ unidades por segundo. Se a curva fosse uma parábola com vértice em $(2, 120)$ e raízes em $0$ e $4$, leríamos domínio e imagem, concavidade, máximo local em $x=2$ e os intervalos de crescimento (até o vértice) e decrescimento (após ele), sem nunca precisar da lei algébrica.

É exatamente esse tipo de cobrança que aparece na Unicamp, na Fuvest e no ENEM: enunciados com uma curva contextualizada (temperatura ao longo do dia, lucro de uma empresa, velocidade de um carro) que pedem interpretações qualitativas — em que instante a temperatura foi máxima, em que intervalo o lucro cresceu, quantas vezes a função assumiu dado valor, qual a taxa média entre dois instantes —, o que exige do candidato a habilidade de relacionar cada elemento visual a um significado matemático e físico, treinando sistematicamente as leituras vertical, horizontal e pontual de um mesmo gráfico sob diferentes perspectivas.

Explore os gráficos

Arraste os controles para ver o efeito de cada parâmetro; role para dar zoom.

  • Crescente, decrescente, par e ímpar

    x² é par (simétrica ao eixo y); x³ é ímpar (simétrica à origem) e crescente em todo ℝ. Arraste a para comparar os pontos simétricos.