F3 · Aulas 25–26

Introdução à Geometria Analítica

Plano cartesiano

Cada ponto é um par $(x,y)$: abscissa e ordenada. Quadrantes numerados no sentido anti-horário, com sinais $(+,+)$, $(-,+)$, $(-,-)$, $(+,-)$. Sobre a bissetriz dos quadrantes ímpares vale $y=x$; nos pares, $y=-x$ — condição que muitos enunciados usam disfarçadamente.

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O plano cartesiano é a ponte que transforma problemas geométricos em equações algébricas: fixadas duas retas perpendiculares com origem comum, cada ponto do plano passa a ser identificado por um único par ordenado $(x,y)$, e a ordem importa, pois $(3,-1)$ e $(-1,3)$ são pontos distintos. Mais do que localizar, essa correspondência permite traduzir regiões por meio de desigualdades: o semiplano à direita do eixo $y$ é $x>0$, o primeiro quadrante é o sistema $x>0$ e $y>0$, e a reta $y=x$ não é apenas a bissetriz dos ímpares, mas a fronteira entre os pontos em que $y>x$ e aqueles em que $y<x$ — informação decisiva quando o enunciado fala em "pontos acima da diagonal" ou "região entre as bissetrizes".

Simetrias também caem com frequência: o simétrico de $(a,b)$ em relação ao eixo $x$ é $(a,-b)$, ao eixo $y$ é $(-a,b)$, à origem é $(-a,-b)$ e à reta $y=x$ é $(b,a)$.

Ponto médio de um segmento AB

$M=\left(\frac{x_{A}+x_{B}}{2},\frac{y_{A}+y_{B}}{2}\right)$: a média das coordenadas. Serve para achar o simétrico de um ponto ($B=2M-A$), o centro de uma circunferência a partir do diâmetro e o encontro das diagonais de um paralelogramo.

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O ponto médio de um segmento é a formalização algébrica de uma ideia geométrica elementar: o ponto que divide o segmento em duas partes iguais e se encontra à mesma distância das extremidades, sendo também o centro de simetria do segmento. Na Geometria Analítica, essa noção ganha precisão porque traduz uma propriedade puramente métrica em operações aritméticas simples: como as coordenadas variam linearmente ao longo de uma reta, a média aritmética das coordenadas de $A$ e $B$ fornece exatamente as coordenadas do ponto equidistante. É por isso que a fórmula não é uma convenção arbitrária, mas consequência direta do fato de a projeção ortogonal do ponto médio sobre cada eixo ser o ponto médio das projeções das extremidades.

Tomemos um exemplo concreto: sejam $A=(2,-1)$ e $B=(6,5)$. O ponto médio é $M=\left(\frac{2+6}{2},\frac{-1+5}{2}\right)=(4,2)$.

Baricentro de um triângulo ABC

$G=\left(\frac{x_{A}+x_{B}+x_{C}}{3},\frac{y_{A}+y_{B}+y_{C}}{3}\right)$ — média simples dos três vértices. É o encontro das medianas e divide cada uma na razão $2:1$. Não confunda com o circuncentro, que exige mediatrizes.

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O baricentro merece ser entendido para além da fórmula: ele é o centro de massa de um triângulo homogêneo, e essa interpretação física explica por que suas coordenadas são obtidas por média aritmética simples, e não por alguma média ponderada. Se você pendurar um recorte triangular de papelão por um de seus vértices, a linha vertical que passa por esse ponto de suspensão é exatamente a mediana relativa a esse vértice; repetindo o procedimento com outro vértice, as duas verticais se cruzam no baricentro, o que confirma experimentalmente que ele é o único ponto de equilíbrio do triângulo. Essa ideia se conecta diretamente à definição vetorial $\vec{G}=\frac{\vec{A}+\vec{B}+\vec{C}}{3}$, que é a forma mais elegante de apresentar o conceito, pois dela decorre imediatamente a fórmula das coordenadas e também a propriedade de que o baricentro é o ponto cuja soma vetorial dos três vértices, tomando G como origem, é nula — isto é, $\vec{GA}+\vec{GB}+\vec{GC}=\vec{0}$.

Quanto à demonstração da razão $2:1$, o argumento correto é tomar o ponto $P$ que divide a mediana $AM_a$ na razão $2:1$ a partir do vértice e mostrar, via vetores, que esse mesmo $P$ também pertence às outras duas medianas, de modo que as três concorrem nesse ponto comum, que é o baricentro; é essa unicidade do ponto divisor que garante a concorrência, e não a verificação isolada do ponto médio.

Dominar a versão vetorial e a interpretação física evita decoreba e resolve tanto as questões diretas quanto aquelas que misturam baricentro com colinearidade, áreas e divisão de segmentos, que são as combinações mais frequentes nos vestibulares.

Distância entre dois pontos A e B

$d_{AB}=\sqrt{(x_{B}-x_{A})^{2}+(y_{B}-y_{A})^{2}}$ — Pitágoras em coordenadas. Com ela se classifica triângulo (isósceles, retângulo pela recíproca de Pitágoras) e se escreve a equação da circunferência. Aparece em praticamente toda questão analítica.

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A fórmula que você já viu nasce de um raciocínio simples, mas vale enxergar o que está por trás dela: dados dois pontos quaisquer no plano cartesiano, você constrói mentalmente um triângulo retângulo cuja hipotenusa é o segmento AB, um cateto é a variação horizontal (a diferença das abscissas) e o outro é a variação vertical (a diferença das ordenadas). Aplicando Pitágoras, chega-se à distância sem precisar desenhar nada.

O ponto central é que essa fórmula mede comprimento independentemente do quadrante ou da posição dos pontos, o que explica por que as diferenças aparecem elevadas ao quadrado: assim, a ordem da subtração não altera o resultado, e a distância de A até B é sempre igual à de B até A.

No ITA, pode surgir disfarçada dentro de uma questão de coordenadas polares ou de lugares geométricos, mas a base continua sendo esse Pitágoras em coordenadas.

Área de um triângulo ABC

$A=\frac{|D|}{2}$, sendo $D$ o determinante $\begin{vmatrix}x_{A}&y_{A}&1\\ x_{B}&y_{B}&1\\ x_{C}&y_{C}&1\end{vmatrix}$. O módulo é obrigatório: o sinal de $D$ indica só a orientação dos vértices. Para polígonos, decomponha em triângulos.

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A fórmula da área por determinante não é um truque isolado: ela nasce do produto vetorial entre dois lados do triângulo, $\vec{AB}\times\vec{AC}$, cujo módulo mede a área do paralelogramo formado por esses vetores, de modo que a área do triângulo é metade disso. Em coordenadas, esse produto vetorial se traduz exatamente naquele determinante de terceira ordem, o que explica por que a expressão funciona para quaisquer três pontos não colineares, independentemente de estarem no primeiro quadrante ou espalhados pelo plano.

Vale notar que, se $D=0$, os três pontos são colineares e não formam triângulo algum — esse é um teste de alinhamento muito explorado em prova. No exemplo concreto, tome $A(1,2)$, $B(4,6)$ e $C(7,3)$: o determinante dá $1\cdot(6-3)-2\cdot(4-7)+1\cdot(12-42)=3+6-30=-21$, e a área é $|-21|/2=10{,}5$.

Condição de alinhamento de três pontos

Os pontos são colineares se, e somente se, esse mesmo determinante é nulo, $D=0$ — área zero. Alternativa equivalente: igualdade dos coeficientes angulares, $\frac{y_B-y_A}{x_B-x_A}=\frac{y_C-y_A}{x_C-x_A}$, que exige cuidado com retas verticais.

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A condição de alinhamento de três pontos nasce de uma ideia geométrica simples: se A, B e C pertencem a uma mesma reta, o triângulo formado por eles é degenerado, ou seja, não possui área. Como o módulo do determinante das coordenadas dos vértices é o dobro da área do triângulo, a condição de colinearidade equivale a esse determinante ser nulo. Na prática, isso funciona como um teste algébrico rápido: conhecendo dois pontos, a reta que passa por eles fica determinada, e basta verificar se o terceiro ponto satisfaz a equação dessa reta. Considere A(1, 2), B(3, 6) e C(5, 10). A reta por A e B tem coeficiente angular (6−2)/(3−1)=2 e equação y=2x. Substituindo C: 10=2·5, verdadeiro; logo, os três pontos são colineares.

Se tomássemos C(5, 11), teríamos 11≠10 e o determinante seria diferente de zero, indicando um triângulo de área não nula.

Dominar tanto a abordagem por determinante quanto a comparação de coeficientes angulares é essencial, pois cada uma é mais eficiente conforme o contexto, especialmente quando há retas verticais ou parâmetros envolvidos.

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  • Distância entre pontos e ponto médio

    Arraste A e B: a distância vem de Pitágoras, d = √(Δx² + Δy²), e o ponto médio é a média das coordenadas.