$f(x)=\operatorname{sen}x$: domínio $\mathbb{R}$, imagem $[-1,1]$, período $2\pi$, ímpar. Zeros em $x=k\pi$; máximo em $\frac{\pi}{2}+2k\pi$. A senoide começa na origem subindo — detalhe que distingue seu gráfico do cosseno em questões de identificação.
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A função seno, definida como $f(x)=\operatorname{sen}x$, é melhor compreendida quando ligada ao ciclo trigonométrico: cada arco $x$ percorrido sobre a circunferência unitária tem como seno a sua altura em relação ao eixo horizontal. Disso decorrem propriedades que o resumo já enunciou, mas vale explorar por que elas valem. A imagem $[-1,1]$ existe porque nenhuma altura num círculo de raio 1 ultrapassa esse intervalo, e o período $2\pi$ reflete a volta completa ao mesmo ponto. A paridade ímpar, $\operatorname{sen}(-x)=-\operatorname{sen}x$, vem da simetria em relação ao eixo horizontal.
Dominar o ciclo, portanto, resolve tanto a parte algébrica quanto a geométrica dessas questões.
Função cosseno
$f(x)=\cos x$: mesmos domínio, imagem e período do seno, mas par, com gráfico simétrico ao eixo $y$ e partindo de $(0,1)$. Zeros em $\frac{\pi}{2}+k\pi$. É a senoide deslocada: $\cos x=\operatorname{sen}\left(x+\frac{\pi}{2}\right)$.
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A função cosseno, definida como $f(x)=\cos x$, é melhor compreendida quando a associamos ao ciclo trigonométrico: para cada arco $x$, $\cos x$ é a abscissa do ponto correspondente na circunferência de raio unitário, enquanto $\operatorname{sen}x$ é a ordenada. Disso decorre a relação fundamental $\operatorname{sen}^2x+\cos^2x=1$, que impede o cosseno de assumir valores fora de $[-1,1]$, e a paridade $\cos(-x)=\cos x$, consequência de a abscissa não mudar quando percorremos o arco no sentido oposto. Outra propriedade importante é a periodicidade: $\cos(x+2\pi)=\cos x$, pois uma volta completa retorna ao mesmo ponto, mas o menor período positivo é $2\pi$.
O gráfico é uma onda contínua que oscila entre $-1$ e $1$, atinge o máximo $1$ em $x=2k\pi$ e o mínimo $-1$ em $x=\pi+2k\pi$, cruzando o eixo $x$ em $x=\frac{\pi}{2}+k\pi$, pontos em que a abscissa se anula. Vale ainda lembrar as fórmulas de adição, como $\cos(a+b)=\cos a\cos b-\operatorname{sen}a\operatorname{sen}b$, muito usadas para reduzir arcos. Como exemplo concreto, resolva $\cos x=\frac{1}{2}$: no intervalo $[0,2\pi]$, as soluções são $x=\frac{\pi}{3}$ e $x=\frac{5\pi}{3}$; a solução geral é $x=\pm\frac{\pi}{3}+2k\pi$, o que mostra o papel da simetria em relação ao eixo $y$ e da periodicidade.
Função tangente
$f(x)=\operatorname{tg}x=\frac{\operatorname{sen}x}{\cos x}$: domínio exclui $\frac{\pi}{2}+k\pi$, onde há assíntotas verticais; imagem $\mathbb{R}$; período $\pi$, não $2\pi$; ímpar e crescente em cada ramo. O período menor é a pegadinha mais comum.
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A tangente nasce geometricamente como o comprimento do segmento vertical traçado do ponto $(1,0)$ até a reta que passa pela origem e pelo ponto do ciclo trigonométrico correspondente ao arco $x$ — daí o nome "reta tangente" —, e é justamente essa construção que revela por que a função explode perto de $\frac{\pi}{2}$: quando o arco se aproxima desse valor, a reta que o liga à origem tende a ficar paralela ao eixo vertical, nunca o cruzando, de modo que o ponto de encontro com a reta $x=1$ "foge para o infinito", produzindo as assíntotas. Como esse mesmo comportamento se repete a cada meia volta, o gráfico é uma sucessão de ramos idênticos deslocados de $\pi$.
Funções trigonométricas generalizadas
Em $f(x)=a+b\operatorname{sen}(cx+d)$: $|b|$ é a amplitude, $a$ o deslocamento vertical, $\frac{2\pi}{|c|}$ o período e $d$ a fase. Imagem $[a-|b|,\ a+|b|]$. Modela maré, temperatura e roda-gigante — formato preferido da Unicamp e da Fuvest.
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Toda função trigonométrica generalizada nasce de uma transformação da onda básica $y=\operatorname{sen}x$ ou $y=\cos x$, e entender essa construção é mais importante que decorar parâmetros: ao escrever $f(x)=a+b\operatorname{sen}(cx+d)$, aplicamos, na ordem, uma dilatação/compressão horizontal pelo fator $\frac{1}{c}$, uma translação horizontal, uma dilatação vertical por $b$ e, por fim, uma translação vertical $a$, de modo que cada número carrega um papel geométrico distinto. O ponto mais delicado é a fase: o termo $d$ só é o deslocamento real da onda quando $c=1$; em geral o deslocamento horizontal vale $-\frac{d}{c}$, e é por isso que a forma $f(x)=a+b\operatorname{sen}\!\big(c(x-x_0)\big)$ costuma ser preferida, pois exibe diretamente o deslocamento $x_0$.
O mesmo raciocínio vale para cosseno e tangente, mudando apenas período e assíntotas, e para funções do tipo $a+b\cos^2(cx)$ ou $a+b|\operatorname{sen}(cx)|$, cujo período cai à metade do original. Como exemplo concreto, considere a altura da água num porto modelada por $h(t)=3+2{,}5\operatorname{sen}\!\left(\frac{\pi}{6}t\right)$, com $t$ em horas: a amplitude $2{,}5$ m indica que a maré sobe e desce $2{,}5$ m em torno do nível médio $3$ m, a imagem é $[0{,}5;\,5{,}5]$ e o período é $\frac{2\pi}{\pi/6}=12$ h, típico de maré semidiurna — a água atinge o máximo quando $\frac{\pi}{6}t=\frac{\pi}{2}$, isto é, $t=3$ h, e o mínimo em $t=9$ h.
Funções trigonométricas inversas
Só existem em domínios restritos, onde as funções viram bijetoras. Valem $\operatorname{sen}(\arcsin x)=x$ sempre, mas $\arcsin(\operatorname{sen}x)=x$ apenas dentro do intervalo principal — origem de quase todo erro no tema.
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Para construir as inversas, restringimos cada função trigonométrica a um intervalo onde ela é estritamente monótona e, portanto, bijetora: para o seno, usamos $[-\pi/2,\ \pi/2]$, cuja imagem é $[-1,1]$, o que define $\arcsin$ com domínio $[-1,1]$ e contradomínio $[-\pi/2,\ \pi/2]$; para o cosseno, $[0,\pi]$, origem de $\arccos$ com domínio $[-1,1]$ e imagem $[0,\pi]$; e para a tangente, $(-\pi/2,\ \pi/2)$, dando $\arctan$ com domínio $\mathbb{R}$ e imagem $(-\pi/2,\ \pi/2)$. Note a assimetria: $\arcsin$ e $\arccos$ só aceitam entradas em $[-1,1]$, enquanto $\arctan$ aceita qualquer real — ponto que as bancas exploram ao cobrar domínio. A inversão de composições é sutil: $\operatorname{sen}(\arcsin x)=x$ vale para todo $x\in[-1,1]$, mas $\arcsin(\operatorname{sen}x)=x$ só quando $x\in[-\pi/2,\ \pi/2]$, pois o arco devolvido precisa estar no intervalo principal.
Exemplo concreto: $\arcsin(\operatorname{sen}(5\pi/6))$. Como $5\pi/6>\pi/2$, a resposta não é $5\pi/6$; usamos $\operatorname{sen}(5\pi/6)=1/2$ e obtemos $\arcsin(1/2)=\pi/6$, o arco do intervalo principal com mesmo seno. Nos vestibulares, o tema aparece em equações como $\arcsin x=\arccos x$, em que se aplica seno a ambos os lados, gerando $x=\sqrt{1-x^2}$ e $x=\sqrt{2}/2$, com verificação do intervalo; em gráficos de $f(x)=\arctan x$, destacando limites assintóticos $\pm\pi/2$; e em questões de composição que exigem filtrar valores fora do domínio principal. Além disso, derivadas e integrais de funções inversas aparecem em provas mais avançadas, como ITA e Unicamp, exigindo reconhecer que $(\arcsin x)'=1/\sqrt{1-x^2}$ e $(\arctan x)'=1/(1+x^2)$, sempre atentando ao domínio de validade.
Função arco seno
$y=\arcsin x$ com $x\in[-1,1]$ e $y\in\left[-\frac{\pi}{2},\frac{\pi}{2}\right]$; é crescente e ímpar. Assim $\arcsin\frac{1}{2}=\frac{\pi}{6}$, e nunca $\frac{5\pi}{6}$, que está fora da imagem principal.
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Para entender por que a função arco seno precisa dessa restrição tão específica, pense no problema inverso: a equação $\operatorname{sen} y = x$ tem infinitas soluções em $y$ quando $x \in [-1,1]$, pois a função seno é periódica e repete cada valor a cada $2\pi$; além disso, dentro de um mesmo período, $\operatorname{sen} y = x$ admite duas soluções simétricas (exceto nos extremos $\pm\frac{\pi}{2}$ e no zero). Para que $\arcsin$ seja de fato uma função — e não uma relação multivalente —, é indispensável escolher um ramo em que o seno seja bijetor, e o intervalo $\left[-\frac{\pi}{2},\frac{\pi}{2}\right]$ é exatamente esse ramo: nele o seno é contínuo, estritamente crescente e assume todos os valores de $-1$ a $1$ uma única vez, o que garante a existência da inversa.
Essa escolha também preserva a simetria ímpar, pois o intervalo é simétrico em relação à origem, e explica por que o gráfico de $y=\arcsin x$ é a reflexão do gráfico de $y=\operatorname{sen} x$ (restrito a esse ramo) em torno da reta $y=x$, trocando domínio e imagem. Como exemplo concreto, considere $\arcsin\left(-\frac{\sqrt{3}}{2}\right)$: buscamos o único ângulo em $\left[-\frac{\pi}{2},\frac{\pi}{2}\right]$ cujo seno vale $-\frac{\sqrt{3}}{2}$; como $\operatorname{sen}\frac{\pi}{3}=\frac{\sqrt{3}}{2}$ e a função é ímpar, a resposta é $-\frac{\pi}{3}$, e não $\frac{4\pi}{3}$, que embora tenha o mesmo seno, está fora da imagem principal.
Função arco cosseno
$y=\arccos x$ com $x\in[-1,1]$ e $y\in[0,\pi]$; é decrescente. Portanto $\arccos\left(-\frac{1}{2}\right)=\frac{2\pi}{3}$. Vale a relação $\arcsin x+\arccos x=\frac{\pi}{2}$, atalho recorrente na ITA.
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A função arco cosseno nasce da necessidade de inverter a relação $y=\cos x$, que não é injetora em toda a reta, o que obriga a restringir o domínio a $[0,\pi]$ para que a inversa exista e seja única; assim, $\arccos x$ devolve o ângulo cujo cosseno vale $x$, e não o contrário. Essa sutileza é o coração do tema: enquanto $\cos\frac{2\pi}{3}=-\frac{1}{2}$, o arco cosseno ignora as infinitas soluções congruentes e escolhe apenas a do intervalo $[0,\pi]$, de modo que $\arccos\left(-\frac{1}{2}\right)=\frac{2\pi}{3}$ e não $-\frac{2\pi}{3}$ nem $\frac{4\pi}{3}$. Graficamente, a curva é o reflexo de $y=\cos x$ (restrito) em torno da reta $y=x$, passando por $(1,0)$, $(0,\frac{\pi}{2})$ e $(-1,\pi)$, sempre decrescente, pois cosseno decresce em $[0,\pi]$.
Quanto à composição, cuidado com a ordem: $\cos(\arccos x)=x$ vale para todo $x\in[-1,1]$, mas $\arccos(\cos x)=x$ só é verdadeiro se $x\in[0,\pi]$; fora disso, é preciso trazer o ângulo de volta ao intervalo canônico, como em $\arccos(\cos\frac{7\pi}{6})=\arccos(-\frac{\sqrt{3}}{2})=\frac{5\pi}{6}$.
Função arco tangente
$y=\operatorname{arctg}x$ com $x\in\mathbb{R}$ e $y\in\left]-\frac{\pi}{2},\frac{\pi}{2}\right[$; crescente, ímpar, com assíntotas horizontais. Domínio irrestrito é sua vantagem: qualquer real tem arco tangente, enquanto arco seno exige $|x|\leq 1$.
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A função arco tangente resolve o problema inverso de encontrar o ângulo cuja tangente vale um número dado, mas exige cuidado: como a tangente é periódica e repete infinitamente seus valores, precisamos restringir seu contradomínio para garantir a invertibilidade. É por isso que escolhemos o intervalo aberto $\left]-\frac{\pi}{2},\frac{\pi}{2}\right[$, no qual a tangente é contínua e estritamente crescente, varrendo todos os reais. A notação $y=\operatorname{arctg}x$ significa, então, que $\operatorname{tg}y=x$ e que $y$ está nesse intervalo principal — jamais em outro quadrante, mesmo que outros ângulos tenham a mesma tangente. Essa sutileza aparece em equações trigonométricas: a solução geral de $\operatorname{tg}y=k$ é $y=\operatorname{arctg}k+n\pi$, com $n\in\mathbb{Z}$, pois a periodicidade $\pi$ se preserva na reta real.
Como exemplo concreto, calculemos $\operatorname{arctg}(-1)$: o ângulo do intervalo principal cuja tangente é $-1$ é $-\frac{\pi}{4}$, e não $\frac{3\pi}{4}$, embora ambos tenham tangente $-1$; a restrição do contradomínio elimina a ambiguidade. Esse mesmo raciocínio mostra que $\operatorname{arctg}(\operatorname{tg}x)=x$ só vale quando $x\in\left]-\frac{\pi}{2},\frac{\pi}{2}\right[$; fora dele, é preciso ajustar com múltiplos de $\pi$.
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Funções trigonométricas — A·sen(Bx + C) + D
A é a amplitude, o período é 2π/B, C desloca na horizontal e D na vertical. Compare com sen x (tracejado).