F3 · Aulas 19–20

Quadriláteros notáveis e suas áreas

Principais conversões de unidades de área

Área é grandeza quadrática: cada degrau linear vira fator $100$. Assim $1\ \mathrm{m^{2}}=10^{4}\ \mathrm{cm^{2}}$ e $1\ \mathrm{km^{2}}=10^{6}\ \mathrm{m^{2}}$. Agrárias: $1\ \mathrm{ha}=10^{4}\ \mathrm{m^{2}}$ e $1\ \mathrm{alqueire\ paulista} =2{,}42\ \mathrm{ha}$. Converter linearmente é o erro clássico.

Aprofundar

Por trás da regra prática há um motivo algébrico: como a área de um retângulo é base vezes altura, converter exige multiplicar duas dimensões, e é isso que faz o fator ser sempre o quadrado da conversão linear — se $1\ \mathrm{m}=100\ \mathrm{cm}$, então $1\ \mathrm{m^{2}}=100\times100\ \mathrm{cm^{2}}$. O mesmo raciocínio vale para volumes, com fator cúbico, o que ajuda a fixar de vez a ideia de que a potência acompanha a dimensão da grandeza. Unidades agrárias seguem a mesma lógica: o hectare equivale a um quadrado de $100\ \mathrm{m}$ de lado, logo $10^{4}\ \mathrm{m^{2}}$; e o alqueire paulista, embora seja medida tradicional e não pertença ao SI, aparece em questões de contexto rural com seu valor fixado em $2{,}42\ \mathrm{ha}$, ou $24\,200\ \mathrm{m^{2}}$.

Quadriláteros

Quadrado $\ell^{2}$; retângulo $bh$; paralelogramo $bh$; losango $\frac{Dd}{2}$; trapézio $\frac{(B+b)h}{2}$. Todo quadrado é losango e retângulo. Diagonais: no paralelogramo cortam-se ao meio, no retângulo são iguais, no losango são perpendiculares.

Aprofundar

Os quadriláteros notáveis formam uma família hierárquica em que cada definição acrescenta uma restrição à anterior, e entender essa lógica evita decoreba. Todo quadrilátero tem quatro lados e soma dos ângulos internos igual a 360°, pois qualquer um pode ser dividido por uma diagonal em dois triângulos de 180°. A partir daí, o paralelogramo exige lados opostos paralelos, o que força lados opostos congruentes e ângulos opostos congruentes; o retângulo é o paralelogramo com um ângulo reto, e como ângulos consecutivos são suplementares, todos ficam retos; o losango é o paralelogramo com lados congruentes; e o quadrado, interseção dos dois, acumula todas as propriedades.

Essa cadeia explica por que o quadrado aparece em questões de "todo quadrado é retângulo, mas nem todo retângulo é quadrado", cobrança clássica de verdadeiro ou falso. Quanto às áreas, a do paralelogramo sai de um retângulo recortado: ao deslocar um triângulo de um lado para o outro, obtém-se base vezes altura, desde que a altura seja perpendicular à base escolhida, e não o lado oblíquo. No losango, as diagonais se cruzam perpendicularmente e o dividem em quatro triângulos retângulos congruentes, cuja soma leva a $\frac{Dd}{2}$; no trapézio, a base média $\frac{B+b}{2}$ multiplicada pela altura. Exemplo concreto: um losango de diagonais 6 cm e 8 cm tem área 24 cm² e lado 5 cm, pois cada triângulo retângulo tem cateto 3 e 4.

Alguns teoremas mais genéricos

Para qualquer quadrilátero de diagonais perpendiculares, $A=\frac{Dd}{2}$. Se as diagonais formam ângulo $\theta$, $A=\frac{Dd\operatorname{sen}\theta}{2}$. Nos inscritíveis vale a fórmula de Brahmagupta, $A=\sqrt{(p-a)(p-b)(p-c)(p-d)}$ — a irmã de Heron, cobrada na ITA.

Aprofundar

Quando você sai dos quadriláteros clássicos e encara um quadrilátero qualquer, a ferramenta mais poderosa é enxergá-lo como a união de dois triângulos por uma diagonal, o que revela por que a fórmula $A=\frac{Dd\,\mathrm{sen}\,\theta}{2}$ funciona: ela é, na verdade, a soma das áreas dos quatro triângulos formados pelo cruzamento das diagonais, e o seno do ângulo entre elas captura exatamente o fator de inclinação que corrige o produto dos lados.

Em resumo, domine a decomposição em triângulos, saiba quando o seno entra e nunca aplique Brahmagupta sem verificar a condição de inscrição sob pena de perder a questão inteira.