Experimento aleatório e espaço amostral
Aleatório é o experimento cujo resultado não se pode prever, embora se conheçam todos os possíveis. O espaço amostral $\Omega$ reúne esses resultados. Descrevê-lo corretamente é meio caminho: em dois dados, $\Omega$ tem 36 pares ordenados, não 21 somas.
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Antes de calcular qualquer probabilidade, você precisa saber exatamente o que está sendo sorteado, e é aí que mora a sutileza: um experimento aleatório é aquele em que não há como prever o resultado antes de realizá-lo, mas cujo conjunto de todos os resultados possíveis é conhecido e bem definido. Esse conjunto é o espaço amostral Ω, e cada um de seus elementos é um resultado (ou ponto amostral). A pedra no caminho aparece quando o enunciado é ambíguo: lançar duas moedas e observar "o número de caras" tem Ω = {0, 1, 2}, mas lançar duas moedas distinguindo-as (moeda 1 e moeda 2) tem Ω = {KK, KC, CK, CC}, com quatro resultados equiprováveis. São experimentos diferentes, logo espaços amostrais diferentes, e confundi-los leva a respostas erradas.
É por isso que os livros insistem em que a escolha do espaço amostral faz parte da modelagem: em geral se quer um Ω em que os resultados sejam igualmente prováveis, pois só assim vale a definição clássica P(A) = (nº de casos favoráveis)/(nº de casos possíveis). Como exemplo concreto, considere lançar um dado honesto de seis faces e observar o número obtido: aqui Ω = {1, 2, 3, 4, 5, 6}, e o evento A = "sair número par" corresponde ao subconjunto {2, 4, 6}, de modo que P(A) = 3/6 = 1/2. Se, em vez disso, o experimento fosse lançar dois dados e somar as faces, o espaço amostral seria formado por 36 pares ordenados (1,1), (1,2), …, (6,6), e a soma 7 corresponde a 6 desses pares, dando P(soma 7) = 6/36 = 1/6.